terça-feira, 1 de maio de 2018

HOMENAGEM DO E. 149 AO DR. JOÃO ALVES PIMENTA

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No dia 28 de Abril de 2018 um grupo de antigos militares do Esquadrão 149 fez uma visita ao seu camarada de comissão na guerra em Angola Ten. Mil. Médico Dr. João Alves pimenta em jeito de homenagem àquele que consideramos ter sido o mais forte e melhor de todos e um exemplo perfeito de Irmão mais velho que olhava e tratava todos com uma dedicação de mãe. Em Nome do Esquadrão falaram o Fur. Pires, enfermeiro auxiliar da "Secção Sanitária" do Esquadrão comandada e dirigida pelo Dr. Pimenta, o 1º Cabo Cardona e o Fur. Contreiras, co-autores da homenagem.
O Fur. Contreiras leu o seguinte texto:

 Viemos hoje aqui trazidos por nossa livre vontade e guiados por um sentimento de amizade e gratidão para com o Dr. Pimenta. 
Estamos hoje aqui juntos do Dr. Pimenta para lhe dizer de viva voz quanto o admiramos e respeitamos pela sua dedicação e entrega aos sábios cuidados de tratar os nossos males quaisquer que eles fossem. 
Sim, porque o Dr. Pimenta tratou com o mesmo empenho e eficiência quer os feridos no corpo pelas balas quer os feridos pela doença, pelo paludismo, pelo isolamento no mato, pelo esgotamento ou abatimento moral. 
E a verdade é que, fosse por que motivo fosse, feridos, doentes ou não, todos passámos pelas suas mãos nem que fosse para fazer uma consulta, pedir um conselho, uma ajuda ou uma palavra de conforto. Contudo, ao contrário, nunca ninguém viu o Dr. Pimenta em apuros, desorientado ou perdido face aos ataques e tiroteios, perante dificuldades e perigos. 
Como aconteceu a caminho de Nambuangongo, e podemos ver no filme respectivo da RTP "A Grande Arrancada", logo que havia tiros e feridos sempre o Dr. Pimenta aparecia imediatamente junto dos homens caídos na picada com os seus tratamentos adequados e mãos milagrosas com a serenidade como se estivesse no ambiente do hospital. 
E foi assim sempre, e abnegadamente, mesmo junto das populações locais como aconteceu no Caxito.
 Pensando bem, no fundo, de todos os homens do Esq. 149 ele foi sempre o mais forte de todos pois nunca ele nos pediu ajuda e todos nós, de algum modo, lhe pedimos socorro em horas difíceis. 
Mas, por outro lado, ele foi também o melhor de todos. Pois ele já nos disse uma vez que, a certa altura, foi convidado para ser promovido a Capitão e, porque isso acarretava ter de nos deixar, ele não aceitou para não nos abandonar e poder continuar junto de nós até ao fim da comissão e regresso do Esquadrão. 
Portanto a nossa dívida de gratidão perante o Dr. Pimenta é incomensurável. Logo, a nossa vinda hoje aqui não é mais que uma pequena prestação para amortização dessa dívida impagável.  
E que viva o Dr. Pimenta muitos anos para que possamos continuar a vir cá pagar muitas mais prestações. 

Évora, 28.04.2018 


O Dr. Pimenta, mesmo algo enferrujado como se auto-definiu e também emocionado, agradeceu a nossa lembrança de o visitar e não o esquecermos com palavras precisas de grande sensibilidade e grata memória dessa passagem inesquecível junto de nós, sua família adoptiva.
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 A palavra e o conhecimento, por si só. não faz o homem,
são as suas acções que o definem e confrontam,
as suas qualidades que o abaixam ou o alevantam,
as suas actitudes que o escondem ou o descobrem
quamdo nos momentos necessários, decisivos, apontam
o dever e agem a bem dos outros, que ajudam e socorrem.
Explico,
face à impossibilidade de proceder à evacuação
aérea dos feridos, sobretudo o grave que não aguenta
perder mais tempo, a equipa do Dr. Pimenta,
reúne todos os limitados meios que tinha à mão
e resolve operar ali mesmo no Quixico.
Foi uma noite inteira sem descanso cirurgiando
à luz deficiente de uma gambiarra
utilizando meios rudimentares.
Mas a vida e a perna ficaram nos seus lugares
devido à vontade e determinação do Dr, que as agarra
e devolve ao Soldado, donde se estavam escapando.
Bem haja abnegada gente que com garrotes e lancetas
evitaram mais um português morto ou de muletas. ..................................................................................................................................
 Poema "Operação Frontal II" do livro de José Neves "O esquadrão 149, a Guerra e os Dias"

sábado, 21 de abril de 2018

MORTO EM COMBATE




 Funeral e honras militares prestadas pelo 1º Pelotaão

No livro "História do Esquadrão de Cavalaria 149" do Dr. João Alves Pimenta editado em 1963 ainda em Luanda pode ler-se, sublinhado:

 
Era o Soldado nº 267/61 do 1º Pelotão do Esquadrão 149 e o Escoteiro do 2º Grupo dos Escoteiros de Portugal.
Morto em combate pelas 19H00 do dia 31 de Agosto de 1961pelo inimigo que, na picada para Quipedro e a 5Kms do rio Lué rodeada de mata cerrada, numa curva em cotovelo a 90º montou uma emboscada organizada com atiradores de frente e de lado relativamente à coluna militar.
O Aguiar vinha na 1ª viatura da coluna, um jipão, sentado ao lado do condutor e foi alvejado por tiro de arma de caça grossa com bala de corte cruzado na ponta que lhe trespassou e desfez o peito. No meio da coluna o inimigo atacou com armas automáticas FBP que abriram 23 buracos na carrocçeria da GMC onde vinham o Fur. Carita e o 1º Cabo Cardona.

 Sepultura do Soldado e Escoteiro Joaquim Ferraz de Aguiar
Em 1971, dez anos após ser morto em combate em Angola e enterrado à sombra de um imbondeiro junto do acampamento do Esquadrão 149 em Quipedro, os seus camaradas Escoteiros de Portugal empreenderam os trabalhos de trasladação do corpo para Portugal e deram-lhe uma sepultura condigna com todas as honras devidas no cemitério do Alto de S. João em Lisboa.

Uma investigação do 1º Cabo Cardona conseguiu não só constatar que o corpo do Aguiar havia sido trasladado de Angola para Portugal como localizar o memorial que representa a sua morada definitiva.
Certamente que, do Álém, o Aguiar há anos que espera que os camaradas de armas do Esquadrão 149, que foram seus amigos em vida e estiveram com ele no momento da morte, dêem sinal de sua amizade e camaradagem nesta sua nova morada.
Temos o dever de ir junto da última morada do Aguiar e deixar lá memória escrita de nós.

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Já nós subíamos o mesmo monte
que a coluna descia e levava às profundidades
do vale cerrado de mata (que foi o nosso Hades)
com o Rio ao fundo (que foi o nosso Aqueronte)
de águas caudalosas e a ponte destruída
que era a armadilha dos caçadores de vida,
quando um forte disparo se ouviu no ar.
Depois ouviram-se rajadas e as rajadas
do nosso lado, rajadas de morrer e matar,
rajadas de balas cruzadas,
rajadas cegas de brancos metidos numa gaiola,
rajadas falhadas de pretos a disparar e a dar-à-sola,
rajadas que deixaram marcas em viaturas furadas.

Mas foi o seco e forte disparo ouvido primeiro
quem deixou marca sangrenta de arrepiar.
Uma bala 12.7 rasgada na ponta entrou no peito
e saiu pelas costas feitas um buraco a sangrar
a vida e a alma e o futuro a que tinha direito
o Soldado 267/61, que fora o Escoteiro
Joaquim Ferraz de Aguiar.
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Excerto do poema "O Diário de Quipedro, o Lué IV" do livro "O Esquadrão 149, a Guerra e os Dias" de José Neves.          

quinta-feira, 12 de abril de 2018

EM MEMÓRIA: SOLDADO MANUEL FREIRE ROSA

1940 - 2018





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A travessia fora tão longa e difícil que provocou
na Tropa uma enorme necessidade de repouso
reconhecida por todos e pelo Comando
que autorizou à medida que a travessia se ia dando
a ida imediata para Quipedro, ao que o pessoal desejoso,
respondeu de pronto dirigindo-se à povoação que ocupou.
Ia ficando o pessoal ocupado nas duras tarefas
da travessia, ao qual se fazia uma justa rendição
de tempos a tempos, o que provocou catrefas
de trocas e baldrocas e muita confusão
entre quem seguira e quem ficara ou estava indo.
Foi assim, por entre todo este enredo
que entre o Rio Lué e Quipedro
o Soldado Rosa ficou dormindo.

Nunca na vida se vira tão sozinho no mundo
como quando acordou, do pesado sono oriundo,
e viu apenas a escuridão densa da mata
e sentiu o silêncio pesar toneladas
e um nó no peito que não desata
e um tremor de pernas derreadas
e um atropelo no pensamento
e uma mudez na fala
e um medo sem aguento
e uma fera ou uma bala
e uma cova ou uma vala
e um fim incógnito e inglório
sem velório
e um acordar do susto e da razão.
E ao analisar e medir a situação
reconheceu que apesar de só e perdido
ainda não tinha morrido.

Tinha passado aquele minuto de pesadelo
vivido, quando deu o primeiro passo
que lhe produziu um ruído como estranho
de propósito anunciando
a sua presença naquele espaço,
tal lhe parecera o barulho daquele gesto, pelo
que era preciso nem mexer um cabelo.
Em movimento lento ajeitou a farda
pôs o capacete e as cartucheiras
escutou o som da floresta e das clareiras
e agarrou na espingarda.
Com a alma feita em pedaços
prestes a ruir em escombros
ensaiou dar alguns passos
que lhe soaram novamente como guizos
e desse modo, pensou, eram precisos
que os pés fossem descalços.
Pôs as botas atadas aos ombros
veio à picada para ficar orientado
depois entrou na mata um bocado
medindo o peso de cada pegada,
caminhou sempre ao lado da picada
tentando abrir e vencer caminho,
vai tentando, tentando vai e vence-o
caminhando tão, tão de mansinho
que mal respira para não perturbar o silêncio.

Assim caminhou sempre como felino
que procura a presa,
neste caso uma esperança acesa
crente que não acabara o destino 
da sua alma de Soldado.
Depois de muito ter andado
numa solidão absoluta
pára, olha, ouve e escuta
ruído de motores e fala de gente
que aumenta lentamente
até ficar clara e ruidosa.
Eram os seus camaradas de Pelotão
que ao darem com o sobrevivente
caíram-lhe as lágrimas no chão
como água de uma torneira
regando Rosa dum jacto.
A morte ficou em jejum
naquela noite milagreira
que lhe deixou a vida e o corpo intacto
e de saúde, de que ainda hoje goza
o heróico Soldado raso 270/61
Manuel Freire Rosa.
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Excerto do poema "A Transposição do Lué  III" do livro de José Neves "O Esquadrão 149, a Guerra e os Dias"

sexta-feira, 9 de março de 2018

ESQUADRÃO 149 ANGOLA 1961, 'A GRANDE ARRANCADA'



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Nambuangongo era a glória que se persegue
tenazmente, dia e noite sem descanso.
 Que se ganhava tiro a tiro, vala a vala, lanço a lanço,
emboscada a emboscada, à guerra de corpo e alma entregue
na vâ ambição de ser o melhor, o primeiro
a chegar, pisar o chão e sentir o cheiro
do louro da vitória e obter a benesse
que tal feito merece.
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E agora estavam ali mil pares de olhos olhando
uma vila de casas queimadas e destruídas,
reduzida a destroços e escombros.
Eram quinhentos anos de império carregando
à cabeça e sobre os ombros
pilhas e pilhas de vidas, vidas e vidas
trágico-marítimas e condenados às galés
escravos e marinheiros engolidos pelas marés,
malfeitores brancos de cá deportados,
pretos de lá vendidos como gado em mercados,
hereges queimados em autos-de-fé,
gentios sujeitos à lei do indiginato,
mineiros a X em ouro por cabeça,
colonos desbravando selva e mato
não sobrevivendo à fome e à doença,
contratados para os campos de algodão,
contratados para as roças de café,
contratados para as terras de sisal,
contratados para as fazendas de palmares,
contratados para os engenhos de dendem,
contratados para as plantações de cana,
contratados para dormir e morrer no chão,
contratados para trabalhar a chicote e pontapé.
Contratados foram todos e nós também
pelo orgulhosamente só império de Portugal,
ali, em destroços, sob os nossos mil olhares
húmidos da água salgada que a alma derrama
sem glória, nem honra nem fama.
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Excertos dos poemas "Heróis de Ocasião" e "Nambuangongo" publicados por
José Neves no livro "Esquadrão 149, A guerra e os Dias.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

NATAL 2017 COM ESPÍRITO DE 1962

NATAL 1962 NA ROÇA RODRIGUES & IRMÃO

No final de1962 estava o Esquadrão sediado em Bolongongo e tinha destacados, com rendições quinzenais, um Pelotão no Terreito a cerca de 20 kms e outro na roça Rodrigues & Irmão a cerca de 80 kms para lá do Terreiro.
No Natal desse ano calhou ao 1º Pelotão estar de serviço de protecção na roça Rodrigues & Irmão situada próximo do rio Dange cuja nascente era naquelas zonas altas circundantes. Para festejar o dia adquirimos aos contratados habitantes na roça, que criavam os seus animais próprios, alguns frangos para fazer um churrasco e desse modo ter um almoço de comemoração do dia de Natal.
Não me recordo porque motivo o Alferes Ribeiro Agostinho não pode estar connosco e o Pelotão era comandado pelos Furriéis Marcos e Contreiras que se vêem na mesa à esquerda na foto acima. Estávamos em vésperas de ser rendidos e o Pelotão já tinha algumas baixas evacuadas para o Dr. Pimenta no Bolongongo devido ao paludismo que grassava naquelas paragens, não obstante, o equipamento especial que tínhamos para o tratamento da água que consumíamos.
Foi um Natal muito especial preparado, cozinhado e comemorado por um grupo pequeno de Soldados isolados por matas cerradas e uma picada com cerca de 100 kms distante dos restantes camaradas do grosso do Esquadrão. Mas foi também mais um momento de convivência em cumplicidade de amizade total e única como só é possível acontecer na guerra sob condições reais de perigos de morte. 
Foi mais um momento para cimentar a nossa amizade para o resto da vida.

Relembro este episódio para reforçar os desejos de que todos os sobreviventes do nosso Esq. 149 possam neste Natal 2017 comemorar na intimidade dos seus grupos familiares e amigos, livres de perigos e doenças, com igual comunhão de sentimentos de amizade e alegria de viver como naquele dia de Natal de 1962 o fizeram os Soldados destacados e isolados do mundo no interior das matas de Angola. 

 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

COR. CAV. RUBEN DOMINGUES, NOSSO ALFERES COMANDANTE DO ESQ.149; FESTA DO 80º ANIVERSÁRIO.




Numa primeira visita à recém-passada e bonita festa do 80º aniversário do Nosso Alferes Ruben Domingues, 2º Comandante do Esq. Cav. 149 em Angola 1961-1963, constatamos à partida o mesmo homem corajoso e decidido que, tal como procedia em tempo de guerra em Angola, também ainda hoje perante o ataque dos monstruosos fogos florestais de Outubro que lhe destruíram totalmente a casa familiar centenária, não desistiu nem cedeu ao desânimo, antes pelo contrário, à boa maneira do oficial de cavalaria voltou à carga e respondeu inflexivelmente com a realização já anunciada da festa do seu aniversário.
A festa fez-se e o Nosso Comandante Alferes Ruben, agora coronel na reserva, esteve rodeado dos familiares e amigos pessoais e também, em grande escala, dos camaradas colegas amigos militares e sobretudo dos Soldados por si comandados numa demonstração de reconhecimento, gratidão e amizade pelo antigo Comandante seu primeiro defensor corajoso em tempo de guerra.
E foi em ambiente de recordações de felicidade para todos e, certamente, de inesquecível alegria para o Nosso Comandante Ruben Domingues.

Contra a vontade expressa do Nosso Comandante, contudo, não por desobediência mas antes por força da vontade genuína de expressar a nossa gratidão e amizade, os Soldados presentes, em nome do Esq. 149, fizeram oferta de uma lembrança e disseram algumas palavras, elogiosas pois claro, que dizer outra coisa não seria verdadeiro.



Assim o Fur. Mil. Contreiras disse:

Sabemos que o Nosso Comandante apenas aceita, exige mesmo, como único presente a presença e estima pessoal de cada um de nós nesta comemoração única dos seus 80 anos de vida.
Pois, como Soldados do Esq. 149 aqui estamos presentes cumprindo respeitosamente, mais uma vez, a ordem do Nosso Comandante.
Contudo, os Soldados do Esq. 149 presentes, estando aqui em nome de uma amizade especial individual estão, sobretudo, em nome de uma gratidão colectiva da Unidade Militar, o Esq. 149, a qual o Nosso Alferes Ruben comandou e defendeu corajosamente no seu todo colectivamente.
A nossa atitude não é, por conseguinte, uma desobediência mas antes sim, um imperativo de consciência moral e militar pois se o Nosso Alferes era um e nós muitos, hoje aqui, o Nosso Alferes representa esses muitos e nós um único, uma presença única tal como único foi o Esq. 149.
Assim, em nome desta Unidade de Vontades contra uma Vontade Individual, permita-nos o cumprimento do dever do coração em detrimento do dever militar.
Queira, portanto, aceitar esta lembrança em nome único do Esq. 149 como memória de uma amizade fraternal sentida, fundada e cimentada sob os perigos de guerra onde fomos sentinelas alerta e guardiões vigilantes da vida de todos por todos.
Viva o Comandante Ruben.


E o 1º Cabo Botas Cardona disse:



1.     Caro amigo, Alferes Rúben Domingues, hoje distinto Coronel de Cavalaria
2.     Naquele tempo, na guerra em Angola, no ano de 1961/63, o senhor num acto talvez irreflectido, castigou-me com dez dias de mato, aquando o nosso esquadrão estava aquartelado no Caxito.
3.     Mais tarde, por arrependimento ou talvez não, verifica então que a minha conduta e o meu desempenho como militar, era e continuou a ser sempre, a de um elemento consciente e responsável, do trabalho e da responsabilidade, que me tinha sido distribuído no cargo, imposto pelo Comando do Esquadrão.
4.     Assim, o meu Alferes, sendo 2º Comandante do E. CAV 149 do nosso Esquadrão nessa altura, decide “presentear-me” com um louvor de trabalho em plena guerra colonial.
5.     Se antigamente, já lá vão mais de meio século, ambos nós, tínhamos uma franca e boa amizade, esta cimentou-se mais com esta situação.
6.     Hoje, como temos um bom coração, aqui estamos os dois, e não só, a festejar e a comemorar os seus 80 anos de vida.
7.     Ofereço-lhe esta minha simples oferta, que descreve e recorda o passado e o presente, da nossa imensa e profunda amizade.
8.     Desejo-lhe as melhores e as maiores felicidades pela vida fora.
9.     Obrigado pela amizade e não só, já lá vão decorridos 56 anos.
1. Bem haja, meu caríssimo amigo, Coronel Rúben Domingues


oO Alf. Mil. Ribeiro de Carvalho fez entrega da sua velha bóina preta e dos gastos galões quando ambos eram Alferes de Cavalaria 7 na Ajuda em memória dos mesmos símbolos militares que o Alferes Rubem havia perdido nas suas deambulações em comissões militares por África.
  

segunda-feira, 23 de outubro de 2017