quarta-feira, 4 de setembro de 2024

HOMENAGEM AOS MORTOS EM COMBATE - MANTER VIVA A MEMÓRIA


1. AS PLACAS
 

 



 

 2. MANTER VIVA A MEMÓRIA 

Têm os povos todos uma história própria

que de muitos é desconhecida e ignorada

por falta de inscrição ou inscrição errada

em suportes frágeis para original ou cópia.

Aos vindouros dói a memória apagada,

que vestígios não são marca registada

de feitos valorosos ou cometimentos

atrevidos de coragem, à guerra inerentes.

À guerra inútil travada por inocentes

de repente, limpos e de pecados isentos,

foram embarcados sujeitos à má sorte  

da guerra sob o vil dilema: vida ou morte.

 

3. DE INÍCIO FOI...

De início foi a homenagem merecida e devida, realizada em 31.08.2019 no Cemitério do Alto de São João em Lisboa, ao nosso camarada Joaquim Ferraz de Aguiar, Soldado 267/61 do nosso glorioso Esquadrão de Cav. 149 tombado em combate na frente da coluna junto do Rio Lué em 31.08.1961 pelas 18H00. Este ato de homenagem está, também, registado neste blog na data da realização. Imediatamente, a ideia do dever fazer o mesmo com os demais camaradas mortos em combate junto de nós, não mais saiu de nosso pensamento. Vieram os anos de recolhimento, isolamento e apagamento social devido ao "covid", contudo, a ideia não se apagou de nosso pensamento. O nosso Comandante Coronel Ruben de Almeida Mendes Domingues que foi o primeiro, após a homenagem ao Aguiar, a questionar; "e agora? e os outros? Não temos de fazer o mesmo?". Logo todos presentes concordámos com a proposta de fazer igual homenagem a todos os tombados em combate do Esq. 149. Também, de imediato, o nosso Comandante propôs-se colaborar e, assim, formou-se uma equipa para as "Homenagens Aos Mortos" formada por:

Cor. Cav. Ruben Domingues

Fur. Mil. Cav. Adolfo Pinto Contreiras

1º Cabo Cav. 106/61 José Botas Cardona                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       É esta equipa para as Homenagens que desde o princípio deste ano de 2024 trabalhou assiduamente no sentido de realizar as homenagens aos restantes quatro mortos do Esquadrão. Nos contactos realizados com as Juntas de Freguesia onde restam sepultados os corpos dos nossos mortos, afim de dar conhecimento e legalizar o ato de homenagem com colocação de uma placa em latão gravado alusiva ao facto, depara-mo-nos com uma genuína vontade de colaborar com a nossa intenção; de imediato o Presidente da Junta de Freguesia da Aldeia de Caçarelhos, Vimioso, Professor Licínio Ramos Martins não só concordou como nos informou que iria incluir a nossa homenagem na festa anual a S. Pedro, padroeiro da Aldeia. Deste modo a data de 29.06.2024 ficou registada para estar no Vimioso à hora marcada e as restantes foram estabelecidas em datas anteriores, pois, queríamos realizar as quatro homenagens de seguida.     

A partir desta data, em retrocesso, organizámos um plano de viagens aos locais das previstas homenagens, a partir da casa do Cardona em Alter do Chão, assim:

Dia 23 de julho de 2024: - Encontro em Alter do Chão: 

Dia 24de julho de 2024 - Homenagem 2º Srg. Paulo António Neves Mota em Elvas: 

Dia 26 de julho de 2024 - Homenagem Soldado 291/61, António Oliveira Gaspar em Parceiros da Igreja, Torres Novas: 

Dia 27 de julho de 2024 - Homenagem 2º Srg. Manuel de Sousa em Évora de Alcobaça, Alcobaça

Dia 29 de julho de 2024 - Homenagem ao Soldado raso José Manuel Vicente Pires em Caçarelhos, Vimioso: 

Dia 30 de julho de 2024 - Regresso a Alter do Chão.

Cumpriu este programa à risca o Fur. Mil. Contreiras e o 1º Cabo Cardona face à impossibilidade física do Comandante Cor. Ruben Domingues.

 

4. ELVAS - 24.06.2024

HOMENAGEM 2º SARG. CAVALARIA ANTÓNIO NEVES MOTA

                                                                                                                   

 
 
 
 
O Fur. Mil. Adolfo Contreiras do Esq. 149 leu o seguinte texto acerca desta homenagem.
 
Exma. Senhora Dra. Anabela Cartas, Vice-Predidente da CME
Exmo. Senhor José Miguêns Presidente do Núcleo de Ex-Combatentes de Elvas 

Os nossos sentidos agradecimentos e gratidão pela vossa bondade e disponibilidade para estarem presentes nesta singela homenagem, contudo, de elevado sentido de reconhecimento e memória para com os militares tombados em combate na guerra colonial.
Nós, os seus camaradas do Esq. 149, logo após a sua morte, só pudemos no dia seguinte dar-lhe uma morada no acampamento do mato à sombra de algum indiferente imbondeiro local, mas nem por isso  deixámos de lhe dar um funeral cristão e prestar-lhe as devidas honras militares.
Para os militares vivos do Esq. 149 a guerra continuou igual como antes e a luta pela sobrevivência durante mais vinte e oito meses e quatro baixas e muitos feridos, inevitavelmente, fez esquecer mas não matar a memória dos nossos tombados em combate. Tanto mais que, no pós-guerra, outra guerra tivemos de enfrentar no mundo de constante luta civil pelo trabalho e bem-estar familiar.   
Não obstante, em todas as nossas reuniões de comemoração anual do nosso regresso da guerra todos os nossos heróis mortos em combate eram lembrados e celebrados na respetiva homilia religiosa especialmente a eles dedicada.
Faltava, contudo, dar uma direção, um endereço, uma referência familiar-militar à suas últimas moradas, completar as suas identidades com as suas últimas famílias de vida em comunidade. Faltava, juntar de novo, o 2º Sarg. Mota aos seus derradeiros camaradas de armas que com ele conviveram.
E faltava que os seus camaradas de armas e de guerra viessem aqui, junto dele, prestar-lhe a devida homenagem ao herói que tombou em combate em sua defesa. 
E, logo, que soubemos da sua morada definitiva aqui quisemos vir fazer-lhe companhia e aqui estamos e, de algum modo, também aqui iremos ficar com o camarada morto por mediação desta memória viva que representa a presente placa de homenagem.
Com esta placa-lápide restituímos ao nosso herói o seu endereço militar que, tal como é para nós, também será para ele um orgulho voltar a pertencer à família deste glorioso Esquadrão 149.
Com esta homenagem à memória do 2º Sarg. Mota cumprimos um dever em falta e, igualmente, é também para nós uma honra e um orgulho enorme voltar a estarmos junto do nosso herói tombado em combate.
Herói morto que, uma vez aqui imortalizado na pedra desta campa e no bronze desta placa, vai continuar, a partir de agora, a conviver com os vindouros.
Ele e nós geminados estaremos, desde agora, junto deles escutando-os.
 
 
5. PARCEIROS DA IGREJA, TORRES NOVAS - 26.06.2024
HOMENAGEM AO SOLDADO ATIRADOR DE CAVALARIA nº 291/61 LUÍS DE OLIVEIRA GASPAR             
 
 

 

 



Estiveram presentes,

O Presidente da Junta de Freguesia de Parceiros da Igreja

O representante da CMTN

O Presidente do Núcleo de Ex-Combatentes de Torres Novas, o portador do Pendor e outros.

 

Por fim, foi lido o mesmo texto que transcrevemos acima relativo ao 2º Srg. Mota em Elvas.

 

6. ÉVORA DE ALCOBAÇA, ALCOBAÇA - 27.07.2024

HOMENAGEM AO 2º SRG. CAVALARIA MANUEL DE SOUSA  

 



Esteve presente o Senhor Manuel Delgado da Silva, Combatente membro do Núcleo de Ex-Combatentes de Alcobaça.


7. CAÇARELHOS, VIMIOSO - 29-07.2024

HOMENAGEM AO SOLDADO ATIRADOR DE CAVALARIA nº 134/60, JOSÉ MANUEL VICENTE PIRES

 











Esta homenagem ao Soldado nº 134/60, José Manuel Vicente Pires foi integrada na tradicional festa anual da Aldeia ao seu santo padroeiro, S.Pedro.
Estiveram presentes:
O Presidente da Junta de Freguesia de Caçarelhos Professor Licínio Ramos Martins
O representante do Presidente da Câmara Municipal do Vimioso
O povo da Aldeia de Caçarelhos incluindo a numerosa família do homenageado constituída de três irmãs ainda vivas e numerosos sobrinhos e sobrinhos netos do Soldado Pires.
 
Foram lidos três poemas do livro "Esquadrão 149, A Guerra e Os Dias" de 2003 de autoria do Fur. Mil. Adolfo Contreiras seu Comandante de Secção escritas, especialmente, em homenagem deste Soldado, Homem de carácter íntegro que foi herói por nada.   
 
Pelo Fur. Mil. Adolfo Contreiras foi lido o seguinte poema:
 
1. Poema "FINAL TRÁGICO"
 
Palmilhámos trilhos e carreiros,
indícios, pegadas, cheiros,
rastos, sinais, mata, capim,
à procura dos invisíveis atacantes
que perto d'ali, pouco distantes,
nos aguardavam feitos Caim.
Levanta-se um espesso nevoeiro
quando se viu o Sol no ar, inteiro
batendo em cheio nas miríadas
de gotas, reflectia raios de luz 
cruzados que nos ofusca e induz
a ter visões distorcidas.
Visões mais viradas para dentro
que p'ra fora, naquele momento.
 
Da Roça pedem à Tropa que fique 
até que o nevoeiro se dissipe
e tenhamos melhor visibilidade
para um regresso mais seguro.
Obra do Diabo a enganar o futuro
de alguém com uma fatalidade 
já ensaiada p'la segunda vez 
em apenas metade de um mês.
À terceira Satanás deu a sua ajuda
lançando poeiras de nevoeiros
de modo a ficarmos prisioneiros
dele e com isso nos iluda.
Ó rei dos diabos, vil, cruel, reles
porque enganaste a nós e não a eles?
 
No momento que estava saindo
da Roça a Tropa, o dia pôs-se lindo, 
brilhava o Sol fora-se o nevoeiro,
cheirava o ar, a terra e a floresta,
o ambiente era de alegria e festa
no jipão a caminho do 'carneiro'.
Numa longa reta em sobe e desce
de repente tudo acontece,
quando um disparo seco rebenta
e uma bala errada dum tiro certeiro
mata o José Manuel Pires, barbeiro
e Soldado raso nº 134/60.
Maldita hora, maldita bala, maldito acaso
que matou os sonhos a este Soldado Raso. 

 
 
De seguida foi lido pela familiar do Soldado Pires, Sónia Alves o segundo poema:

2º Poema "A TERRÍVEL TROCA"
 
Bala errada d'um tiro certeiro,
tiro certeiro de uma bala errada,
bala direita a outro apontada,
tiro torto e traiçoeiro,
bala do seu alvo desviada,
tiro ao alto pelo rolar do jipão
à velocidade do regresso,
bala dirigida ao dono desta mão
tiro traidor, a tua pouca precisão
levou o amigo e deixou este verso.
 
Bala certeira de errado tiro torto,
tiro emboscado à nossa coca,
bala traidora d'uma terrível troca,
tiro de matar a mim e não o morto,
bala da triste morte que provoca,
tiro da má memória e sem perdão,
sem perdão e sem preço,
bala para matar o dono desta mão,
tiro que te deixou a ti no pó do chão
e a mim vivo para te deixar este verso.
 
Ó tiro maldito que ainda hoje se repercute
vivo, incandescente na visão e no ouvido,
deste que sabe que fora o alvo pretendido
mas não sabe a quem a tua morte impute,
se ao princípio que começa em D.Henrique
ou ao fim que acaba em Salazar e sua clique.
 
 
De seguida foi lido o 3º poema por Délia Contreiras, namorada, madrinha de guerra e esposa do Fur. Mil. Contreiras. 
 
3º Poema "SOLDADO PIRES" 

Mais uma vez o nosso Ten.Mil.Dr. João
valorizando o militar e sua profissão
fez que um helicóptero evacuasse,
à sua ordem, o Soldado raso morto
contra a vontade do piloto, um torto,
que queria que o corpo ali ficasse.
Claro que o Dr. sabia perfeitamente
que nunca mais estaria quente
aquele corpo de morte a arefecê-lo.
Também os nossos olhos e sentires
sabiam que ao Soldado raso Pires
jamais olhos alguns iriam vê-lo.
A 9 de Julho de 1962, numa tosca caixa
atiraram-te à cova e registaram, 'baixa'.

No combate foste o atento Soldado Pires
esforçado de corpo e alma até caíres
naquele maldito dia do engano.
Desde então és um nome a tinta preta 
rabiscado nos livros e caderneta
por quem nem sabe se foste humano,
se exististe, se viveste, se amaste,
que sonhos tinhas quando tombaste,
se tiveste infância, brincaste no ribeiro,
se foste jovem sem nunca seres menino,
se foste rapaz de oficina não de ensino,
se foste adulto para ser homem e barbeiro,
se foste Soldado posto no meio da chama,
se foste à guerra e voltaste num telegrama.
 
Meu companheiro Soldado Pires,
este que ficou e te viu ires
em seu lugar ainda hoje estremece
de saber que tempo entre morte e vida
pode ser o de uma bala na corrida
ou o que nos enrruga e envelhece.
(ou será um Deus errante que cegou 
e que não sabe a quem o tempo trocou?)
40 anos após o tiro imerecido e vil
disparado por detrás daquela árvore
tens, numa fria placa de mármore,
anúncio fúnebre e incógnito entre 9000.
Morte inglória, és filho do velho vale
de lágrimas de que é feito Portugal.
 
Pelos alti-falantes foi escutado o toque militar de 'Finados' seguido do Hino Nacional cantado e sentido alto por todos os presentes.
 
 

terça-feira, 19 de março de 2024

LISTA DOS TOMBADOS EM COMBATE DO ESQ. CAVª. 149.

 

ECav 149 – ANGOLA 1961 a 1963

MORTOS

Mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 7 (RC7 – Ajuda) «QUO TOTA VOGANT» - «REGIMENTO DO CAIS» para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola;


Em 28 de Junho de 1961, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Vera Cruz’, integrado no Esquadrão de Cavalaria 149 (ECav149) «ESQUADRÃO DOS MORCEGOS», rumo a Luanda, onde desembarcou no dia 7 de Julho de 1961;

Esta subunidade de cavalaria foi colocada em Ambriz; em Setembro de 1961 foi transferida para Mabubas; em Novembro de 1961 rodou para o Caxito;.

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Sold – Joaquim Ferraz de Aguiar – 1961


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Manuel de Sousa, 2.º Sargento de Cavalaria, n.º 180/54-G natural da freguesia e Concelho de Alcobaça.

Filho de Artur de Sousa e de Ana Maria, nascido na Freguesia e Concelho de Alcobaça. Morto em combate em 3 de Agosto de 1961. Louvado a título póstumo pela forma inexcedível como desempenhou a sua missão indo ao ponto do sacrifício da própria vida para proteger os restantes elementos do seu pelotão.

Está inumado no cemitério Nº 1 da freguesia de Évora de Alcobaça, no concelho de Alcobaça.

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Paulo António Neves Mota, 2.º Sargento de Cavalaria, n.º 1953/B/2049 natural da freguesia de Fortios, concelho de Portalegre, filho de Joaquim Maria Mota e de Maria Rita Neves, casado com Maria Joana Dores Mota;

Faleceu no dia 29 de Agosto de 1961, em Quipedro, em consequência de ferimentos em combate;

Está inumado no cemitério de Elvas.

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José Manuel Vicente Pires, Soldado Atirador Explorador, n.º 134/60, nascido no dia 21 de Setembro de 1939, na freguesia de Caçarelhos, concelho do Vimioso, filho de Manuel Joaquim Rodrigues e de Benigna Rosa Vicente, solteiro;

Faleceu no dia 9 de Julho de 1962, durante a evacuação para o Hospital Militar de Luanda, em consequência de ferimentos em combate, ocorrido no itinerário da Fazenda Bela Vista para Mucondo; Tinha 22 anos de idade;

Está inumado no cemitério da freguesia de Caçarelhos, no concelho do Vimioso.

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António de Oliveira Gaspar, Soldado Atirador de Cavalaria, n.º 291/61, nascido na freguesia de Parceiros da Igreja, concelho do Torres Novas, filho de Luís de Oliveira Gaspar e de Encarnação António Luís, solteiro;

Faleceu no dia 6 de Outubro de 1961, no rio Dange, a 300 metros a jusante da central de Mabubas, em consequência de acidente por afogamento;

Está inumado no cemitério da freguesia de Parceiros da Igreja, concelho de Torres Novas.

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BIOGRAFIA DO 2º SARGENTO MOTA DO ESQ. CAVª. 149 MORTO EM COMBATE

 

Clicar no link abaixo para ver a biografia do 2º Sargento Mota do Esq. Cav. 149 morto em combate num trabalho de pesquisa do portal UTW acerca dos mortos em combate na guerra colonial.

 

https://ultramar.terraweb.biz/Memoriais_Concelhos_Portalegre_Fortios_PauloAntonioNevesMota.htm 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

UMA AVENIDA PARA O Dr. JOÃO ALVES PIMENTA

Ten. Mil. Médico Dr. João Alves Pimenta
 
 
 
 
 Pintura de Bárbara Reis do Aqueduto de Água de Évora sob o qual passa, a brevemente designada, Av. Dr. João Alves Pimenta

 

Tenho comigo uma nota de imprensa que diz o seguinte:

 A Câmara Municipal de Évora aprovou o Topónimo" Av. Dr. João Alves pimenta", no seguimento da proposta apresentada pelo PSD no dia 13 de Julho de 2022, e de um abaixo assinado encabeçado pelo médico Hélder Ornelas.

Segundo o Partido Social Democrata, o Dr. Pimenta, como era conhecido, era uma "pessoa de uma grande generosidade para com os concidadãos e participou também ativamente na vida pública  e associativa da cidade".

A avenida que terá o nome do médico  fica na circular à muralha, entre as Portas de Aviz e as Portas de Lagoa.

João Alves Pimenta, era natural de Ponte de Sor, médico especialista de obstetrícia e Ginecologia, tendo falecido a 7 de novembro 2021, com 90 anos.

Ocupou os postos de Diretor Clínico do Hospital de Évora, (e também, acrescentamos nós, do Hospital de Almada) tendo sido professor durante cerca de três décadas na Escola Superior de Enfermagem de São João de Deus, na cadeira de Obstetrícia  e Ginecologia, na qual também fez parte do Concelho Científico.

Como professor, foi responsável pela formação de centenas de enfermeiros e pela especialização de médicos em ginecologia e  obstetrícia.

João Alves Pimenta foi o primeiro Governador Civil em Évora em democracia, ocupando o cargo entre 1974-1975.

O Dr. Pimenta chegou a ser agraciado com a Medalha de Mérito Municipal - Classe Ouro, pela Câmara de Évora, e também pelo Ministério da Saúde, Medalha de Mérito, Classe Ouro.

Aposentou-se da função pública em maio de 2001 com 70 anos, por imperativo da lei, contudo manteve a sua atividade clínica e cirúrgica, no Hospital da Misericórdia de Évora, até ao dia 30 de dezembro de 2014.

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Nós, do Esquadrão de Cavalaria 149, que tivemos o privilégio da sorte que, em boa hora, nos trouxe o Dr. Pimenta para nosso companheiro de guerra durante vinte e oito meses em Angola, temos o dever de acrescentar ao testemunho da vida civil do homenageado o nosso testemunho de sua vida militar, para mais, na difícil situação de estado de guerra.

Para nós o Dr. Pimenta foi uma pessoa de uma entrega total e igual a todos os militares do Esquadrão que, indiferente, a raças, cores ou patentes se dedicava ao tratamento e cura dos feridos e doentes como se todos fossem seus irmãos, incluindo as mães-pretas quando era chamado a fazer partos difíceis na sanzala, de dia ou de noite, para salvar vidas.

O Dr. Pimenta naquele tempo, integrado numa comunidade militar sob constante perigo de guerra, não praticou a generosidade junto dos militares, pois, a sua natureza generosa de qualidades humanas fez, naquele contexto, que ele fosse muito além do generoso para ser, junto de nós, não só, o médico sempre pronto e dedicado como fazendo de pai, mãe ou de irmão mais velho conforme a situação, caso a caso.

Ele tratou os feridos, os doentes e os sãos olhando, sempre primeiro, pelo melhor bem estar físico e moral dos tropas fazendo regulares inspeções médicas e recusando enviar para o mato quem não estivesse completamente apto. E aos que detetava, com olho de clínico psiquiátrico, com sintomas de estar a ir-se abaixo receitava uns dias em Luanda para retemperar, recuperar saúde e moral humano.

Com apenas um "hospital de campanha" que cabia num pequeno atrelado de jipe, O Dr. Pimenta com garrotes, lancetas e à luz de lanternas ou gambiarras operou, parturiou, tratou e salvou vidas humanas com a mesma naturalidade, humanidade e dedicação como se estivesse na melhor clínica ou hospital do mundo.

O Dr. Pimenta, sendo à vista desarmada um homem normal era, na realidade, de uma invulgar natureza humana predisposta a praticar o bem e ajudar o outro em qualquer situação. E fazia-o pensando humanamente no melhor para o outro em detrimento do seu próprio interesse.                                          Ele que, já era médico há vários anos, por motivo de várias recusas de médicos mais novos mas que por meio de fortes "cunhas" se livraram da mobilização, chegou a vez dele e, como mais velho, foi mobilizado como Tenente Miliciano, a certa altura da comissão em Angola convidaram-no para ser promovido a Capitão mas, como tal implicava ter de abandonar o Esquadrão recusou, pois, preferiu estar connosco até ao fim. Ele mesmo um dia nos confirmou esta confissão. Nesta atitude invulgar vê-se o carácter ímpar da personagem Dr. Pimenta e o forte laço humano que o ligava à sua comunidade militar por si considerada como sua família e, nós, reconhecidos, considerava-mo-lo pai, mãe, irmão, confidente, amigo conselheiro e sempre o nosso médico, conforme a natureza do nosso caso.                                                                                                                                                                   

Ao contrário do inimigo, guiado pelos feiticeiros "quibandas" falsos, fomos nós, os do Puto e do Esquadrão Cav. 149, que tivemos a honra de ter connosco o sábio "mágico", verdadeiro e bom.

Por tudo isto e mais, que só quem conviveu com ele pode sentir, foi que o Ten. Mil. Médico Dr. João Alves Pimenta foi condecorado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma pelo General Comandante da Região Militar de Angola e, por nós, foi elevado ao mais alto pedestal de nossa memória.  

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

O POEMA DE VITOR RAMOS


 

Como se nota logo à primeira leitura, o nosso camarada Fur. Mil. Vitor Ramos também tem jeito para poetar e inspirado pelo cumprimento do dever e ideal militar que foi o percurso e comportamento do nosso Esquadrão em Angola, escreveu este significativo poema que aqui deixo registado.   

 

Esquadrão 149

Fizemos mais uma comemoração,

Sessenta e dois anos são passados.

Há os que infelizmente já não estão

Mas pelos presentes são lembrados.


Mais que se justifica recordar

Os eventos da nossa juventude.

Sabendo o dever pátrio respeitar

Honrando com generosa virtude,

Os que eram os valores de então.

Vilipendiados por povo excitado,

Renegando por ridícula confusão,

Com avidez de parecer reajustado.


Provamos ser cidadãos abnegados,

Com disciplina cumprir nosso dever

E agora:

- Com oportunistas apaziguados,

Olhamos o passado com prazer.


Enquanto esta chama nos aquecer,

Gritemos alto forte com euforia:

- Nunca será demais enaltecer,

Glorioso sentimento de alegria.


Lisboa, 22 – 10 – 2023


Vitor Ramos


149 Furriel

 

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

ESQ, CAV 149, CONVÍVIO 2023

 

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segunda-feira, 25 de setembro de 2023

ESQ. 149, COMFRATERNIZAÇÃO 2023

 

                                                                                                              clique na imagem para ver nítido

                                                                                                 

Caros camaradas combatentes homens reais com armas reais em guerras reais em terras reais de Angola entre 1961 -1963 do séc. passado. Vamos, mais uma vez, realizar o nosso encontro anual para comemorar e celebrar esse acontecimento único, inesquecível e inapagável de nossas vidas enquanto houver memória dele em nós que funcione. Porque:                                                                                                                         

 

Fomos obrigados à força e protesto proibido.

Tivemos medo mas não fugimos.

Lutámos pela existência, não fingimos.

Cruzamos balas entre amigo e inimigo.

Éramos ainda meninos e moços

limpos, saudáveis, fortes, talvez imortais

pensando a longo prazo, ingénuos demais

sem pensar em vidas feitas destroços,

vidas de repente tornadas ossos

à sombra de um imbondeiro indiferente

tal qual nossa nação face ao combatente

ou do inimigo perante os mortos nossos.

Tal foi cumprir nossa missão, leal e honrosa

ao contrário da retribuição, que foi manhosa.

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