domingo, 1 de novembro de 2026

GUERRA COLONIAL ESQ. CAV.149 ANGALA 1961-1963 IV

 

"ILHA DOS AMORES" 

 

ERUDITO TALENTO

 
O Furriel que melhor tinha
habilidade e jeiteira
para arranjar madrinha
amiga ou lavadeira 
não perdeu tempo 
e enquanto se arruma
nas Mabubas arranjou uma
podia ter arranjado um cento.
 
Ele entrou como um vento
pelo nosso quarto a dentro
e disparou; "anda daí 
levanta o rabo da cadeira
anda ver o melhor exemplo
de par de pernas que já vi  
de osso e carne verdadeira
não perguntes o que se passa
vamos depressa ali ao Sassa 
à casa de minha lavadeira".
 
Ele entrou eu fiquei no jipe
aguardando que se explique
com ela. Trouxe-a à ombreira
da porta da cubata e eu vi
uma bela preta longa magra
mãos gastas de ser lavadeira
rugas na cara quando sorri
peito caído de cavar na lavra.
"Jovem gasta antes do tempo"
pensei e disse com desalento
quando ele me manda entrar
e diz-me "Na arte de amar
é um nato e erudito talento".
 
Entramos os três na cubata
e perante a minha hesitação
ele pede à bela Conceição
que levantasse o pano-bata.
Ò celestial visão doce tortura
vê-la de costas pano à cintura
uma perna sobre o catre
outra apoiada no chão de pó.
Ò humana escultural figura, ò
beleza de fazer inveja à arte
de enlouquecer quem fixar-te
as belas pernas até ao buraco
no centro do soberbo mataco.
 
Não resisti fiquei como Priapo
ela inclinou-se; gozámos o ato.
 
 
 

sábado, 31 de outubro de 2026

GUERRA COLONIAL ESQ. CAV. 149 ANGOLA 1961-1963 III

 

 "ILHA DOS AMORES"

 A LAVADEIRA 

Uns andaram à procura da dita cuja
outros p'la dita cuja procurados
cuja dita sabia que os  soldados
tinham pouca roupa e muito suja.
A dita cuja era prazenteira
ou desconfiada e olhar frio
passava os dias lavando no rio 
chamava-se à cuja a lavadeira.
A lavadeira era o grande pretexto 
para fazer propostas descaradas
sem maneiras
como querer meter no mesmo cesto
das lavadeiras 
coisas que para serem bem lavadas
não precisavam água e sabão
apenas apertadas e bem esfregadas
à mão ou não. 
  
Todos acabaram por arranjar uma
diretamente ou por intermédia
do amigo mais safo, era o remedia
santo e milagreiro que arruma
de vez o grande drama humano
que é o traumatismo freudiano.
A roupa era o processo prático
que estabelecia o laço
humano passo a passo
fala a fala, tráfico a tráfico
dinheiro a dinheiro
roupa a roupa 
corpo a corpo boca a boca; 
por fim o que se queria primeiro.
 
Nem era difícil de obter o favor
da lavandeira preta ou mulata
para quem o valor da prata
era mais valioso que outro valor
qualquer que fora pouco ou nada
lhe dizia nem lhe parecia porco
ou imoral o uso do seu corpo
de forma natural e não sagrada.
O seu andar e olhar seu dengoso
já era proposta de sedução
um ritual primitivo amoroso
de dádiva pagão
sem moral nem cabrão
sem má consciência
sem desesperos
sem remorsos nem pecado
sem inferno nem diabo
apenas a imanência
grande humana de Dionísio e Eros. 
 

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

GUERRA COLONIAL ESQ. CAVª. 149 ANGOLA 1961-1963 I

 

JOSÉ MANUEL DOS SANTOS COSTA

 
FUNDADOR DO "LANCEIRO" DESDE 1999
 
 
E o seu amigo Coronel literário do Lanceiro que um dia disse do livro
"Esquadrão 149, a Guerra e os Dias" que tal parecia como aquele antigo
e famoso livro, pois, também este tinha uma "Ilha dos Amores".  
 
   
VAMOS RECORDAR
A "ILHA DOS AMORES" DAQUELE TEMPO MBUBAS-SASSA-CAXITO. 
 
 
 
A FRONTEIRA
 
ÀS desassete do dia vinte
chegámos à povoação
das Mabubas, um requinte
de lugar e localização.
Após dois meses exatamente
da chegara ao Ambriz
para iniciar Viriato 
tínhamos finalmente 
teto de construções civis
e não o relento do mato.
Era um local bonito
com gente e movimento
num vai-vem a todo o tempo
entre as Mabubas e Caxito.
Haviam festas nas sanzalas
havia mercados e roboliço
havia mulheres no rio 
havia no ar cheiro do cio
havia lavadeiras e o serviço
havia poder de contratá-las.
 
Mabubas não era passagem
para nenhuma banda.
Era o local da barragem 
hidroeléctrica que manda
energia e para Luanda.
Era um bairro de moradias
parecidas ou iguais
de armazéns e garagens
construídas de serventia
aos técnicos principais
da energia e barragem
durante a construção.
À tudo à volta da estrada
Mabubas-Sassa-Caxito
era uma sanzala pegada
fronteira do delito.
Era o esconderijo do aflito
inimigo que procura  
refúgio ou informações 
militares que se mistura
e disfarça entre populações.
  
  

GUERRA COLONIAL ESQ. CAVª. 149 ANGOLA 1961-1963 II

O ASSÉDIO

Os primeiros dias na Mabubas
enquanto o Esq. se instala
aquilo do que mais se fala
e poe os militares em pulgas
saltonas de assédias corridas 
são as milhares de raparigas
outras mulheres maduras
cabritas mulatas pretas escudas
alguns corpos perfeitos 
de bronze puro luzídio
lavando-se nuas no rio
livres sem preconceitos.
Atrás deste mar de mulherio
que deambulava entre sanzalas
estradas veredas rio mercados
indígenas andavam magalas
às dezenas obcecados
por tanto bronze ondulando 
provocatório à sua solta
deixando desejos à solta;
inchando
 
 
Com quase três meses de seca
sem hipótese de molhar a sopa
não há ninguém que não caia 
num estado levado da breca
que eriça os sentidos e dopa
desejos alterados e dar de vaia.
Neste estado o magala ensaia
um assédio destemido
a tudo o que usava vestido 
blusa saia tudo por baixo
fazia entrever-se a cada passo
o corpo feminino
delicado belo divino
maravilha das maravilhas
a que macho algum se furta
uma irreprimível tentação
de penetrar com a perna curta
a fenda entre coxas e virilhas
o fundo e gostoso espaço 
que quer tenha ou não
o cabaço
nos faz perder tino e juízo
e a salto; ir e ver do paraíso.
 
 
 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

NOTÍCIAS DE NÓS, 2016


 ENCONTRO DE 65 ANOS DE MOBILIZAÇÃO E CONFRATERNIZAÇÃO NO "LANCEIROS 2" 

EM AMADORA 10 DE OUTUBRO 2026.
 
 
 

NOTÍCIAS DE NÓS, 
 

Já nos faltam o Cap. Cav. Comandante Rui Abrantes e o Dr. Ten, Mil. João 
Alves Pimenta, respetivamente, as duas pessoas de grande qualidade
Militar e Médico os quais formataram exemplarmente todo o pessoal do
Esq. Cav. 149 em 1961-1963.
São cada vez menos os Combatentes originalmente da Guerra Colonial do
nosso Esq. 149. Contudo ainda está connosco o nosso Alferes 2º Comandante
Ruben Domingos, atualmente o nosso Cor. na Reserva e o nosso 1º Alferes
Mil. Ribeiro Carvalho conceituado advogado em Viseu e que foi o nosso 1º
a abrir as portas da nossa guerra quando iniciou, previamente, a "Grande 
Arrancada para Nambuangongo".
  
Quer pela História, quer por esta quase vida que já vivemos, aprendemos a
a conhecer melhor o ser humano que recorre à bruta força e faz a guerra
entre os seus semelhantes obrigatoriamente garantindo um caminho para a 
a humanidade e um rumo de existência.
Contudo, o homem atingiu o limite da força bruta que pode exercer sob pena
de conduzir a própria sua à autodestruição.
As forças destrutivas ultrapassam os valores humanos, agora, confrontam o
propriamente o planeta.
As forcas destrutivas ultrapassam os valores humanos e confrontam
propriamente o planeta Terra e entram em conflito com o desejo humano da 
imortalidade.
 
Todos, desde o Comandante ao mais disfarçado Soldado Militar, grande
coragem demonstraram e valor moral tanto perante si próprio como perante 
o inimigo. 
Aos seus Combatentes vivos assim como aos seus familiares descendentes 
nesta romagem de saudade e não presentes a todos lhes enviamos, hoje e 
sempre, um grande de abraço eterno e, aos Combatentes que já partiram
enviamos, daqui, um grande abraço ao além onde quer que estejam. 
 
 
Adolfo Pinto Contreiras
Fur, Mil. Cav. do Esq,149 
(Lido em Lanceiros 2 em 10.10.2026)
 

sábado, 17 de outubro de 2026

sábado, 19 de setembro de 2026



São cada vez menos os combatentes do glorioso Esquadrão 149 sobreviventes em comum desde esse velho tempo da antiga Guerra Colonial que nos juntou desde 1961 no RC 7 na Calçada da Ajudada e onde iniciou uma amizade especial de sacrifício, luta, sangue e morte durante 28 meses cruzando picadas por morros e vales, rios, matas e capim.                                                                                                        Faltam combatentes que a vida gastou o nosso tempo e apenas serão seus familiares que vivem e os continuam a lembrar-se e ter saudades deles próximos. Um dia só haverão familiares pessoais vivos comemorativos de 1961-1963 que também eles, todos cada um individualmente, um dia também todos eles terão morrido, desconhecidos e esquecidos.                                                                                              Já não temos Comandante Capitão Rui Abrantes nem Ten. Mil. Médico João Pimenta e muita gente de qualidade, graduados ou não, todos eles de tipo grande valia e qualidade. Contudo, ainda temos connosco o Nosso Coronel Ruben, ao tempo o Nosso 2º Comandante Segundo do Esq. 149 e que continua a presidenciar às nossas reuniões anuais com o nosso camarada Cabo Cardona. Também temos connosco o Nosso Alferes Ribeiro Carvalho um brilhantes advogado de Viseu que, natural de Angola, e por isso, foi discriminado por melhor entenderem a situação natureza angolana.                                                      Até o Todos, da melhor forma, foram todos grandes amigos e colaboradores da Nossa Unidade Esq. Cav. 149; até o enigmático 2º Sargento Arménio do Nascimento Góis, exemplo 2º Sargento de ambiente calo de Quartel e paz, mas, quadro de guerra de guerrilha em Angola, não era capaz de exteriorizar o medo terror que sentia em ambiente de lutar contra zonas do inimigo e perigosos. Ainda antes de sob qualquer perigo tomava um sedativo tipo "cuca" para aguentar a pressâo dos acontecimentos tal qual os demais combatentes lutares; o Góis nunca renunciava ir ao perigo como os demais mas uma força maior o domina e paralisia qualquer ação de luta pessoal.                                                                                                    Todos tiveram passados tempos de medo e alguns nem tiveram sequer tempo de ter medo e morrido; assim aconteceram sem saber tal como sabem os acontecimentos aos homem.

DO EX-COMBATENTES 

Têm título de ex-combatente 

têm memorial de presente                                                                                                                                

têm nove mil nomes à volta                                                                                                                              

têm nome no mármore a preto

têm data marcha p'ra esqueleto

têm nove mil mortos de escolta

têm nove mil almas à solta                                                                                                                          

têm parada nomes em formatura

têm parada de placas em sentido

têm paradas de gritos sem ruído

têm parada memórias de sepultora

têm parada de lágrimas e secura

têm parada de tombados indevidos

têm parada de mortos abatidos.                                                                                                                                                                                                                       

   

Do "Esquadrão 149, A Guerra E Os Dias"

Adolfo Pinto Conteiras Fur. Mil. Esq.149/José Neves