domingo, 15 de setembro de 2019
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
HOMENAGEM DO ESQ 149 AO SOLDADO 267 de 61 JOAQUIM FERRAZ de AGUIAR
Como estava anunciado, no dia e hora prevista, cumprimos o nosso dever de prestar a merecida e devida homenagem ao nosso camarada Joaquim Ferraz de Aguiar, Soldado 267/61 do nosso glorioso Esquadrão de Cav. 149 tombado em combate na frente da coluna junto do Rio Lué em 31.08.1961 pelas 18H00.
Estiveram presentes na homenagem com os seus nobres pendões representantes da Associação de Ex-Combatentes de Marco Canaveses, sua terra natal que também já prestaram homenagem local aos seus mortos incluindo o Aguiar e da Associação o Lanceiro admirável e abnegada gente que se dedica a preservar a história da Cavalaria de Portugal.
Igualmente presentes estiveram os Escoteiros nas pessoas de dois representantes da Unidade Escoteira a que pertencia o Aguiar e digna responsável pela trasladação do corpo desde Quipedro em Angola para Lisboa e pelo projecto desta sepultura condigna de um herói no cemitério do Alto de S. João.
E, dada a persistência do Cardona, tivemos presente connosco a senhora Aurora da Conceição Ferraz Conde de Oliveira, tia e a familiar viva mais próximo do Aguiar, o primo António Morais Vieira Aguiar e muito emocionante e simbolicamente a senhora Celestina Andrade Rodrigues na altura namorada e madrinha de guerra do Aguiar que muito nos sensibilizaram e honrou.
E, claro, tivemos connosco mais uma vez um grupo de camaradas do nosso inimitável Esq. Cav. 149 entre eles o Ramiro António de Sousa, Soldado 77/61 condutor da viatura onde seguia o Auiar e o Ernesto Augusto Vestia, Soldado 205/61 que dedicaram palavras mui sinceras e comoventes ao amigo e camarada Aguiar.
Falaram, por fim, o José António Botas Cardona 1º. Cabo 106/61 incansável alma impulsionadora e organizadora dos nossos encontros que marcam e preservam a memória do Esquadrão 149 e o Fur. Mil. Adolfo Pinto Contreiras, camarada amigo e ajudante do Cardona.
A encerrar a pequena-grande homenagem ao Aguiar falaram alto e em uníssono todos os presentes cantando o Hino Nacional.
sábado, 10 de agosto de 2019
HOMENAGEM AO SOLDADO JOAQUIM FERRAZ DE AGUIAR
O nosso Camarada 1º Cabo Cardona, incansável lutador pelo reconhecimento e salvaguarda da valiosa memória histórica do nosso Esq. Cav. 149, não sossegou a alma enquanto não descobriu o paradeiro do corpo, tresladado de Angola e sepultado em Portugal, do nosso Camarada Soldado Nº 267/61 Joaquim Ferraz de Aguiar tombado em combate junto do Rio Lué em Quipedro-Angola no dia 31.08.1961.
A 30 de Agosto o 1º Pelotão saiu de Quipedro para Nambuangongo para realizar novo reabastecimento. Ao regressar, no outro dia, o inimigo emboscado na floresta junto da picada atacou com armas automáticas e atingiu mortalmente o Soldado Aguiar que ia na frente da coluna.
Esse dia foi igualmente inesquecível para o Cabo Cardona pois também ele ia nessa coluna conduzindo a sua GMC e foi atacado com 23 tiros de pistola-metralhadora que deixaram outros tantos buracos na porta da viatura.
Os guerrilheiros apontaram à primeira viatura e às do meio da coluna e o Aguiar foi a única vítima no meio do intenso tiroteio. A morte do Aguiar simboliza um sacrifício em defesa de todos os restantes Camaradas que sobreviveram.
Por isso é dever de reconhecimento que todos os Camaradas sobreviventes, que o possam fazer, deslocar-se no dia 31.08.2019 pelas 11H00 ao Cemitério do Alto de S. João, Rua Morais Soares em Lisboa para em conjunto descerrarmos uma placa-lápide de homenagem, memória e reconhecimento do Esq. Cav. 149 para com o Camarada tombado em nossa defesa.
PS: Concentração às 11h00 à porta do cemitério do Alto de S. João, Lisboa dia 31.08.2019.
.....................................................................
dia 30 Agosto de 1961
Soubemos também ainda, e a mim
soube-me mal especialmente
após a Longa Viagem quase sem fim,
que o meu Pel. tinha imediatamente
de ir a Nambuangongo buscar
alimentos e o 1º Sargento.
Fiquei, por dentro a protestar
o meu sentido descontentamento.
(Fizera a Longa Viagem por via doutoral
com uma mesclada de vária gente
por haver, na altura, muito pessoal doente
do corpo, da alma, do coração, do emocional).
Ou seria o meu calado e agudo sentimento
dos medos e receios, suores frios e pouca fé
que tinha, cada vez que atravessa o Lué?.
.........................................................................
.........................................................................
dia 31 Agosto de 1961
Já nós subíamos o mesmo monte
que a coluna descia e levava às profundidades
do vale cerrado de mata (que foi o nosso Hades)
com o rio ao fundo, (que foi o nosso Aqueronte)
de águas caudalosas e a ponte destruída
que era a armadilha dos caçadores de vida,
quando um forte disparo se ouviu no ar.
Depois ouviram-se rajadas e as rajadas
do nosso lado, rajadas de morrer e matar,
rajadas de balas cruzadas,
rajadas cegas de brancos metidos numa gaiola,
rajadas falhadas de pretos a disparar e a dar-à-sola,
rajadas que deixaram marcas em viaturas furadas.
Mas foi o seco e forte disparo ouvido primeiro
quem deixou marca sangrenta de arrepiar.
Uma bala 12.7 rasgada na ponta entrou no peito
e saiu pelas costas feitas um buraco, a sangrar
a vida e a alma e o futuro a que tinha direito
o Soldado 267/61, que fora o Escoteiro
Joaquim Ferraz de Aguiar.
........................................................................................
Excertos dos poemas "Diário de Quipedro, o Rio Lué I" e "Diário de Quipedro, o Rio Lué IV" do livro de José Neves "Esquadrão 149, A Guerra e os Dias".
.....................................................................
dia 30 Agosto de 1961
Soubemos também ainda, e a mim
soube-me mal especialmente
após a Longa Viagem quase sem fim,
que o meu Pel. tinha imediatamente
de ir a Nambuangongo buscar
alimentos e o 1º Sargento.
Fiquei, por dentro a protestar
o meu sentido descontentamento.
(Fizera a Longa Viagem por via doutoral
com uma mesclada de vária gente
por haver, na altura, muito pessoal doente
do corpo, da alma, do coração, do emocional).
Ou seria o meu calado e agudo sentimento
dos medos e receios, suores frios e pouca fé
que tinha, cada vez que atravessa o Lué?.
.........................................................................
.........................................................................
dia 31 Agosto de 1961
Já nós subíamos o mesmo monte
que a coluna descia e levava às profundidades
do vale cerrado de mata (que foi o nosso Hades)
com o rio ao fundo, (que foi o nosso Aqueronte)
de águas caudalosas e a ponte destruída
que era a armadilha dos caçadores de vida,
quando um forte disparo se ouviu no ar.
Depois ouviram-se rajadas e as rajadas
do nosso lado, rajadas de morrer e matar,
rajadas de balas cruzadas,
rajadas cegas de brancos metidos numa gaiola,
rajadas falhadas de pretos a disparar e a dar-à-sola,
rajadas que deixaram marcas em viaturas furadas.
Mas foi o seco e forte disparo ouvido primeiro
quem deixou marca sangrenta de arrepiar.
Uma bala 12.7 rasgada na ponta entrou no peito
e saiu pelas costas feitas um buraco, a sangrar
a vida e a alma e o futuro a que tinha direito
o Soldado 267/61, que fora o Escoteiro
Joaquim Ferraz de Aguiar.
........................................................................................
Excertos dos poemas "Diário de Quipedro, o Rio Lué I" e "Diário de Quipedro, o Rio Lué IV" do livro de José Neves "Esquadrão 149, A Guerra e os Dias".
Etiquetas:
Esq. Cav. nº149,
homenagem soldado j. ferraz de aguiar
quinta-feira, 18 de abril de 2019
MEMORIAL, HOMENAGEM AOS COMBATENTES NEXENSES II
Após terem sido detectados a existência de mais combatentes na Freguesia de Santa Bárbara de Nexe foi decidido fazer nova placa de nomes gravados incluindo todos os novos combatentes agora reconhecidos.
Foi também melhorada a inscrição feita dos nomes, agora, em colunas verticais o que permite um destaque adequado para um encontro e leitura ácil.
E, mais uma vez, foi decisivo o trabalho voluntário, a vontade conta a indiferença, o gosto contra o desleixo, a dedicação contra o desprezo, o fazer contra o falar do sempre eficiente e sempre combatente José Coelho Mestre; o Cardona da minha Terra.
E, mais uma vez, foi decisivo o trabalho voluntário, a vontade conta a indiferença, o gosto contra o desleixo, a dedicação contra o desprezo, o fazer contra o falar do sempre eficiente e sempre combatente José Coelho Mestre; o Cardona da minha Terra.
O nosso camarada José Neves do Esq. 149 leu a fechar a cerimónia junto ao Memorial o seguinte poema:
SER COMBATENTE
Estamos de novo reunidos em acto reverente
perante este Memorial que nos respeita
a memória viva de Soldado sempre presente
gravada na pedra a mais bela forma eleita
de legar aos vindouros a inapagável gente
valorosa que deixou marca de coragem feita.
Pode parecer coisa pouca participar apenas
na guerra mas nela a vida joga-se no instante
de arrepiar dos tiroteios e da bala rasante
que de repente tomba vidas plenas
que foram promessas de futuro radiante
e volveram lutos e lágrimas de piedosas cenas.
A guerra é o medo e a incerteza de estar vivo
em cada dia e de sair ileso em cada combate
é o viver de alma aflita e do medo cativo
é viver entre chuva de balas e nenhuma o mate
é comer o pó das picadas sob o sol agressivo
a ração fria diária que era da fome um resgate
é expor a via à morte sob o falso imperativo
que obriga o Soldado a ser carne para abate.
E ser herói também é ser um sobrevivente
que foi a todo perigo de morte submetido
onde só a sorte de um acaso inconsciente
ditava quem era herói vivo ou herói caído
quem era chamado à terra ou ficar de pé frente
à luta de arma pronta e pronto erguido
firme na defesa do camarada ao lado
porque ser herói e ser Soldado
tem como primeiro valor e condição exigente
mais que ter ido à guerra é ter sido combatente.
José Neves, Fur. Mil. combatente
do Esq. Cav, 149, Angola 1961.1963
domingo, 10 de março de 2019
HIGINO GÍRIA DA CRUZ ALGARVIO, SOLDADO 294/61 DO ESQ. CAVª. 149, COVILHÃ 2006.
O Soldado 294/61 passou quase desapercebido pela guerra tendo sido, contudo, muito apreciado pelo grupo de seus camaradas de armas mais próximos.
E foi assim porque foi um militar cumpridor que nunca levantou ou criou o mais pequeno problema quer entre camaradas quer aos seus superiores de Comando. Acerca dele ninguém conta ou se lembra no Esquadrão de ter alguma vez tomado uma actitude heróica mas também qualquer actitude de medo ou recusa de participar em qualquer operação arriscada.
Realmente, o Algarvio, viveu a guerra com a mesma presença, àvontade e boa disposição como se nunca tivesse saído ou continuasse entre as pessoas amigas e familiares da sua Aldeia natal.
Para ele a guerra era uma passagem, mais ou menos arriscada e breve, para regressar de bem consigo e livre à sua terra e ao seu trabalho de bobinador de máquinas eléctricas de que era Mestre e era o gosto maior da sua vida.
Voltou à sua Oficina e ao seu trabalho técnico para o resto da vida passando por altos e baixos mas nunca lhe faltou a boa disposição e alegria de viver segundo os seus princípios de bondade e simplicidade inabaláveis.
Foi sempre, na guerra e fora dela, um verdadeiro herói anónimo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






