terça-feira, 2 de setembro de 2014

CONFRATERNIZAÇÃO 2014


ESQUADRÃO DE CAVALARIA 149 - ANGOLA 1961/1963


MAIS UM ANO E MAIS UMA REUNIÃO DE CONFRATERNIZAÇÃO DA NOSSA INESQUECÍVEL COMUNIDADE DE GUERRA FORJADA SOB PERIGOS DE VIDA ININTERRUPTOS DIA E NOITE.
CINCO TOMBARAM E SEIS DEZENAS SOFRERAM FERIMENTOS IMPREGNANDO DE SANGUE O PÓ DAS PICADAS E MATAS DO NORTE DE ANGOLA. NÓS, OS QUE SOBREVIVEMOS, DEVEMO-LHES A IMPAGÁVEL GRATIDÃO DO SEU SACRIFÍCIO EM NOSSA DEFESA. TEMOS, PORTANTO, O DEVER ÉTICO E DE CONSCIÊNCIA DE NOS REUNIRMOS E, EM CONJUNTO, LEMBRAR E MANIFESTAR O NOSSO RESPEITO PELA SUA MEMÓRIA.
LÁ, DO ALÉM, ONDE QUER QUE ESTEJAM ELES CONTINUARÃO CAMARADAS FRATERNOS E SENTINELAS VIGILANTES DE NÓS.


NESTE ANO DE 2014 O ENCONTRO SERÁ EM 11 DE OUTUBRO JUNTO À IGREJA DE REPESES-VISEU E A 'RAÇÃO DE COMBATE' SERÁ SERVIDA NO RESTAURANTE 'CHURRASQUEIRA DE SANTA EULÁLIA' TAMBÉM EM REPESES.




CONTACTOS



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

OPERAÇÃO NAMBUANGONGO - EFEITOS II



CAP. CAVª. RUI COELHO ABRANTES, COMANDANTE ESQ. 149

Outra das três forças militares empenhadas na operação "Viriato" convergentes na tomada e ocupação de Nambuangongo foi o Bat. Caç. 96 comandado pelo bravo Ten. Cor. Maçanita. Esta força com nível militar de Batalhão reforçado com engenharia, artilharia e morteiros, como todas as Unidades utilizadas nessa operação, teve a seu cargo o itinerário Este-Oeste progredindo pelo eixo Piri-Rio Luica-Mucondo-Muxaluando-Nambuangongo.
Também esta Unidade teve fortes ataques do inimigo nomeadamente na travessia do Rio Luica embora sem a dimensão do ataque sofrido pelo outro Bat.114 em Anapasso. Foram, contudo, fortes e duros o suficiente para provocar baixas e sobretudo marcas no moral e estado de confiança de parte do corpo de Comando que perdeu alguma unidade e coesão na acção. Não o seu Comandante, Cor. Maçanita, que era um Oficial corajoso e destemido mas em alguns dos seus oficiais que se tornaram mais cautelosos e menos confiantes quanto ao modo e rapidez de progressão.
As consequências tiveram expressão no recurso a pedidos ao Comando Sector 3 de maior apoio logístico nomeadamente ao nível de abastecimento de combustível, mantimentos e munições. O relato do Cor. Carlos Campos e Oliveira, substituto de Maçanita no Comando do Bat.96 e outros relatos, explicam, no livro "A Guerra de África 1961-1974" de José Freire Antunes, como o defeituoso reabastecimento era feito pelo "Quartel-General".  A progressão fazia-se ao nível de Comp.ª que estabelecia o novo acampamento ao fim do dia com luz natural, o que tornava o avanço moroso e pior que isso, permitia o reagrupamento do inimigo e seu planeamento de novos ataques e emboscadas com feridos o que, por sua vez, retardava mais o avanço e aumentava o estado de baixo moral na Tropa.
A todas as faltas e mal-estar interno tentava remedear e colmatar o intrépido Comandante Maçanita sem, contudo, pela defesa intransigente da sua Tropa no campo de batalha, acabar por desenvolver ele próprio necessariamente algum mal-estar com o Comando de Sector 3 e também com o Quartel-General. E, estando o Bat. 96 em Muxaluando a poucos Kms e prestes a fazer o assalto final sobre Nambuangongo, o caldo de relações entre O Comandante do Bat. e o Comando de Sector 3 na Tentativa e Comando Geral em Luanda, confrontaram-se como se de inimigos se tratasse. O caso não era para menos.
O Cor. Maçanita, após longa marcha, feridos e mortos tombados sobre as picadas e deixados enterrados nos acampamentos, no momento do assalto final para atingir e tomar o objectivo principal, recebe ordens ao mais alto nível para parar e esperar que os Pára-Quedistas de Luanda fossem lançados sobre Nambuangongo e deste modo ficar com os louros da vitória: uma original operação montada para acalmar e sossegar a impaciência de inactividade dos Páras em Luanda,  retirar ao Maçanita e oferecer os louros aos Páras e que, sobretudo, permitiria fazer uma acção de propaganda para consumo internacional tanto mais que nesse lançamento estava incluído o jornalista Artur Agostinho preparado para o "relato", de ênfase à desportiva, do acontecimento. A operação de propaganda teria sido tomada para aliviar a pressão internacional que, naquela altura, na ONU votava inteira contra Portugal e era crucial para a argumentação da diplomacia portuguesa a afirmação do domínio e soberania da totalidade do território angolano.
Segundo relatos constantes do referido livro atrás citado o Alferes Jardim Gonçalves diz que Maçanita respondeu, "Vou entrar em território inimigo e vou com fogo" e mandou fechar todos os rádios proibindo qualquer telegrafista de os abrir. O citado Cor. Campos e Oliveira diz,"O Maçanita respondeu que faria fogo sobre os pára-quedistas quando eles estivessem a cair como pássaros". Manuel Catarino no "Correio da Manhã" diz que Maçanita respondeu, "Quem entra ali sou eu. E se lançarem pára-quedistas vou tomá-los como inimigos, porque não sei se são portugueses", e desligou o rádio para não receber mais mensagens.
Deste modo o Bat. 93, com o Ten. Cor. Maçanita à frente da Comp.ª 103 entrou triunfante em Nambuangongo às 17.45H do dia 09Agosto1961. Para Maçanita nenhuma respeitabilidade militar lhe podia retirar os louros da victória que o sangue dos seus Soldados e a sua bravura conquistara.
O nosso Comandante Cap. Rui Abrantes do Esq. Cav.ª 149, na entrevista dada e reproduzida aqui parte referente ao Bat. 96, foi conhecedor priviligiado dos acontecimentos e refere-se a eles de forma historicamente inofensiva dada a sua condição de militar protagonista, também construtor dos mesmos factos, mas colocado quase em oposição quer do ponto de vista da estratégia militar quer do pensamento e acção no terreno.  
Quando O Cap. Abrantes se refere a Maçanita como militar destemido e teso, quando refere que no Esq. 149 nunca foi exigido mais apoio logístico com reabastecimentos e alimentos, quando se refere que uma ordem sua no 149 era rigorosamente cumprida e no 96 não era bem assim, quando se refere ao não lançamento dos Páras em Nambuangongo e depois ao lançamento, dias depois, dos mesmos Páras em Quipedro, para bom entendedor o Cap. Abrantes está-se a referir a todos acontecimentos passados tal como são fielmente descritos acima.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

OPERAÇÃO NAMBUANGONGO - EFEITOS I



CAP. CAVª RUI ABRANTES ACERCA DO BAT.114
Como é já da História Militar acerca da Guerra em Angola, a operação militar de maior envergadura realizada no norte de Angola foi a operação denominada "Viriato" montada para a reocupação de Nambuangongo, considerada pelo inimigo a sua Praça-Forte, Quartel-General e Capital política dos territórios ocupados. Nessa operação tomaram parte três importantes colunas militares seguindo percursos mais ou menos formando vectores de força de 120º entre si e convergido em Nambuangongo.
Do vector sul-norte seguindo por Caxito-Anapasso-Quicabo-Beira Baixa-Onzo-Nambuangongo ficou encarregado o Bat.114 comandado pelo militar conceituado Cor. Oliveira Rodrigues. O vector Este-Oeste seguindo pelo Piri-Rio Luica-Mucondo-Nambuangongo ficou encarregado o Bat.96 comandado pelo destemido Cor. Maçanita. E o vector Oeste-Este, arrancando tardiamente dez dias em relação aos dois Batalhões referidos,  seguindo por Ambriz-Quimbumbe-Zala-Nambuangongo ficou encarregado o Esq. Cav. 149 reforçado com quatro Pelotões de Armas específicas, comandado pelo racional e sagaz Cap. Rui Abrantes.  

O Bat.114, logo aos primeiros 15 kms de avanço foi atacado em massa em Anapasso junto da ponte sobre o Rio Lifune. Com as suas Mausers e várias armas automáticas fez frente a uma mole de homens armados de catanas, canhangulos e algumas armas automáticas, vencendo a batalha sem contudo evitar a morte de alguns homens seus.
Desde esse momento pareceu ter ficado atemorizado e praticamente ficou paralizado, sem iniciativa. O Comando do Bat., em vez de explorar o sucesso da vitória e a raiva dos vivos perante os camaradas mortos e arrancar em frente a todo vapor, mediu mal a situação sobrestimando a força do inimigo e fez alto, remetendo-se depois a solicitar reforços para poder avançar de novo.
É certo que o percurso entregue ao Bat.114 era o mais bem guardado e defendido pelo inimigo dado ser o caminho mais curto e directo em relação a Luanda. Também, talvez por isso mesmo, tal percurso tenha sido entregue ao Comando do Militar considerado melhor preparado.
Aconteceu que o Comando do Bat.114 e o Comando do Sector 3 responsável máximo pela operação, instalado na Fazenda Tentativa e comandado pelo Brigadeiro Peixoto da Silva, não chegaram a entender-se cabalmente, um quanto aos reforços disponíveis e outro quanto ao avançar sem os reforços pedidos. E sobretudo, nem o Comando Chefe nem o Comando de Bat. viram na batalha de Anapasso uma vitória importante e determinante para ou, enviar com rapidez os reforços ou dar ordens claras de avanço explorando a desorganização do inimigo atingido fortemente.
Deste modo, o Bat.114 acabou por instalar-se e acomodar-se em Quicabo e as suas Tropas ocuparam a Fazenda Beira Baixa e o Onzo não tendo atingido o objectivo principal, Nambuangongo.
  

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CUMPRIU-SE MAIS UMA CONFRATERNIZAÇÃO

Tal como definido há um ano em V. N de Gaia a promessa de nova confraternização em Pombal no dia 12 de Outubro de 2013, foi cumprida.
Embora o peso de cinquenta e quatro anos passados sobre o nosso embarque para Angola, que nos tirou alguma energia de juventude, mantem-se em nós aquele estado de camaradagem e prontidão que o Corpo de Comando do Esq. 149  nos incutiu em tempo de guerra.
À hora marcada para o encontro lá estavam quase todos os combatentes sobreviventes em condições de saúde prontos para a arrancada da confraternização amiga.   

E também, trocados os fortes abraços e recordações de episódios trágicos-cómicos uns e cómico-trágicos outros passados em comum, não foi esquecida a memória dos que tombaram em combate pagando com sangue a sobrevivencia de camaradas e dando um elevado contributo para a identidade ímpar do nosso Esquadrão 149.


O Cardona, a alma e a força incansável da organização dos nossos encontros anuais, não se esqueceu de nada como de costume. E também nos recordou o desaparecimento, já este ano, dos dois homens que compunham a equipa da RTP que nos acompanhou desde o Ambriz até Nambuangongo e que comeram connosco diariamente noite e dia a ração de combate, o pó da picada e o risco de vida ou morte permanente.
Já não haverá mais a sua habitual feliz companhia junto de nós, contudo deixaram a sua indelével presença, em nós e no Esquadrão 149, imortalizada no filme "A Grande Arrancada" que narra a nossa epopeia vivida entre Ambriz e Nambuangongo. 




Foi curto o tempo para tanto episódio que havia para recordar entre os próprios intervenientes. Tanto mais que há sempre um dado novo ou pormenor esquecido de uma história passada sob perigo que, nestes encontros de troca de recordações em grupo, saltam à memória como badaladas de sino.
Mas para o ano haverá nova oportunidade de trocarmos abraços de nossa amizade e histórias de nossa guerra. 
Será em Viseu daqui a um ano.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ARRANCADA ZALA-NAMBUANGONGO




TRAVESSIA DO UEMBIA

Em Zala, ainda a 07Ago61, ao anoitecer, depois de inventariadas as munições, alimentação, estado físico e moral das tropas, o comportamento do inimigo e tácticas utilizadas, o Comando decidido a avançar imediatamente sobre Nambuangongo ordenou às tropas fisicamente aptas que se aprontassem, montassem as viaturas e se colocassem em estado de prontidão e arranque.
Face a tal medida do Comando houveram reacções de oficiais subalternos, nomeadamente do Comando do Pelotão motorizado com Panhards dos Dragões de Luanda, Alferes Barão da Cunha.  O problema mais grave era a falta de munições sendo consideradas insuficientes as que haviam para fazer o percurso Zala-Nambuangongo de 44 Kms, sentido pela maioria como o mais perigoso pensando que o inimigo iria concentrar força e recursos para defender o seu bastião-forte.
Com o pessoal montado e alinhado para arranque onde chegavam notícias contraditórias ora de partir ora de ficar, os Oficiais em Reunião Geral discutiam a situação e possíveis consequências quer de ficar quer de arrancar em condições precárias de segurança militar.

TRAVESSIA DO UEMBIA

O Comandante Cap. Rui Abrantes, embora fortemente contrariado, deu-se por vencido perante a argumentação do risco que representava a falta de munições suficientes, aceitando que no dia seguinte se fizesse uma pista de aviação de modo a evacuar feridos e doentes e houvesse reabastecimento de munições e víveres frescos por via aérea. Aos Sargentos e Soldados chegaram, após a Reunião Geral dos Oficiais e ordem de desmontar e dormir a noite em Zala, rumores de troca azeda de argumentos incluindo a evocação do poder absoluto do Comandante em situação de Estado de Guerra.

TRAVESSIA DO UEMBIA

Assim, na manhã do dia 08Ago61, com enxadas, pás, latas e botas capinou-se uma área suficiente para aterrar os pequenos aviões DO-27, o Dornier. Este trouxe cunhetes de munições, correio e víveres frescos e evacuou feridos e doentes em várias viagens entre Zala e Luanda.
E, ironia trágico-cómica da nossa guerra, constatou-se que a maior parte dos cunhetes de munições trazidas eram de balas de madeira usadas na instrução militar. Em cima da hora prevista para arrancar foram precisas novas viagens do Dornier para trazer balas a sério. Já não houve tempo para examinar os novos cunhetes chegados de Luanda e logo distribuidos pelas viaturas destinadas à frente da coluna que arrancou às 18,00 horas desse dia 8.

RECEPÇÃO DO PESSOAL DO BAT.96 À NOSSA CHEGADA

Sendo o meu Pelotão escalado para a frente da coluna, eu próprio quando batia a picada fazendo reconhecimento pelo fogo, ao segundo cunhete aberto deparei-me novamente com balas de madeira. Comunicado o assunto ao Comandante de Pelotão recebi um cunhete de balas verdadeiras e ordem de parar com o fogo de reconhecimento e fazer reconhecimento pela observação atenta da mata e bermas da picada: devia esquecer o caso, não falar mais no assunto, progredir com rapidez e poupar as balas de matar. O Cap. Comandante não queria discutir mais o assunto e atrazar a marcha sobre Nambuangongo.
Posto o Esquadrão em marcha não havia mais condições de voltar atrás ou acampar, isso seria um sinal de fraquesa que contrariava totalmente a visão táctica militar do Comandante. Pelo contrário, face a tal facto que faria voltar de novo a discussão à estaca zero, o Comandante colocou o pelotão de Panhards blindadas na frente da coluna e ordenou a máxima rapidez na progressão.

O ENCONTRO DOS COMANDANTES COR. MAÇANITA E CAP. RUI ABRANTES

Como grande estratega militar, o nosso Comandante, já percebera que o inimigo reunira todo o seu esforço de defesa sobre Zala e que, naquele momento, estava batido e convencido da impossibilidade de deter as nossas Tropas tanto mais que sabia que o Bat. 96 do Cor. Maçanita também já havia rompido a defesa do inimigo e estava às portas de Nambuangongo. Também fora por estar convencido da justeza da sua visão sobre a situação militar do inimigo que quizera arrancar imediatamente de Zala no dia anterior e discutira acesamente com os outros Oficiais. Agora, uma vez o Esquadrão em marcha só pensava em atingir Nambuangongo o mais rápido possível e surpreender o inimigo e não ser surpreendido, como era estratégia estabelecida para actuação do Esquadrão.

O ABRAÇO DOS COMANDANTES DO BAT. 96 E ESQ. 149

O caso foi que o inimigo só deu sinal de vida logo a seguir ao arranque de Zala com uns tiros de muito longe sem consequências e depois limitou-se a acompanhar e observar de longe a nossa progressão sem parar directa a Nambuangongo. O obstáculo maior foi a travessia do Rio Uembia a 6 kms do objectivo final dado a ponte ter sido destruida e ser preciso reabrir uma antiga passagem a vau ao lado da ponte abatida. Levámos quase a noite toda do dia 9 para 10 a fazer a travessia do Rio Uembia e no dia 10Ago61 às 9,00 horas atingimos Nambuangongo onde as Tropas do Bat. 96 do Cor. Maçanita haviam chegado às 17,00 do dia anterior e nos receberam com saudações de grande entusiasmo e alegria.


UM SOLDADO DO BAT. 96 FEZ TOCAR O SINO À NOSSA CHEGADA E AO HASTEAR DA BANDEIRA

HASTEAR DA BANDEIRA PORTUGUESA NA CAPELA DE NAMBUANGONGO

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Viriato, chefe guerreiro lusitano
do ataque bate e foge, do engano,
do sempre em movimento,
do vem de milhas e vai pra milhas,
das emboscadas e armadilhas,
do sem casa nem acampamento
certo, sem noite, dia ou hora,
tal qual o nosso Esquadrão labora.
Na nossa guerra o guerrilheiro
era o preto mas a nossa táctica
adoptada supunha uma prática
de atacar de surpresa e primeiro,
usando ensinamentos e cartilhas
de Viriato que era preto entre virilhas.

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Excerto do poema "Viriato" do livro "Esquadrão 149, a Guerra e os Dias" de José Neves

domingo, 11 de agosto de 2013

CONFRATERNIZAÇÃO 2013 (2)


 P O M B A L
 
EM 12 DE OUTUBRO DE 2013
 
P R O G R A M A

12 DE OUTUBRO 2013 

10:30 H - CONCENTRAÇÃO NO LARGO DO CADAVAL - JUNTO À C.M. DE POMBAL

12:00 H - MISSA NA IGREJA "Nª.SENHORA DO CARDAL" - JUNTO À C.M. DE POMBAL

13:00 H - ALMOÇO NO RESTAURANTE "MANJAR DO MARQUÊS" - VER MAPA DE LOCALIZAÇÃO JUNTO

Contactos:
Cardona        :Telef. 212422047
                      Telm.967075752/926411513

Restaurante  :Telef. 236200960
                      Telm. 917292830


domingo, 28 de julho de 2013

ELVAS, FORTE DA GRAÇA OU DA 'BARRILADA'

O Sargento LAÇO foi comandante de Secção do 3º Pelotão do Esq. Cav. 149 entre 1961 e 1963 em Angola.
Fez parte dos heróis do Esquadrão que abriram as portas da guerra. Na Madrugada de 25Jul1961 o 3º Pelotão é enviado de Ambriz para explorar o caminho do nosso itinerário para Zala-Nambuangongo afim de conhecer as dificuldades de progressão e sobretudo testar a presença e capacidade de reacção do inimigo.
Ao fim de 53 kms percorridos, na área de Cavunga, os homens do 3º Pelotão são surpreendidos por um forte ataque do inimigo escondidos na mata da berma da picada armados de canhangulos.
Em Cavunga, a cerca de 150 kms o inimigo montara a sua primeira defesa de Zala e Nambuangongo instalando ali uma guarda avançada aquartelada de centenas de homens. 
O 3º Pelotão comandado pelo Alferes Ribeiro de Carvalho, o mais jovem dos Alferes e até da maioria dos seus Soldados, embora inexperiente e vendo-se de repente com 5 homens feridos, não se ficou ou amedrontou reagindo com fogo cerrado das Mauser sobre o inimigo. Obrigou-o a debandar pelos carreiros da mata e abandonar o quartel onde foi encontrada vária documentação com informação militar importante.
Na 1ª batalha travada na guerra a sério onde há quem morra e quem mate, quem tombe e quem escape, um dos intérpretes combatentes sem medo foi o Sargento LAÇO.
No dia 3Jul2013 fui visitá-lo a Elvas, sua terra natal onde apresentou praça e depois esteve muito anos em serviço nos quarteis da Cidade. Não há muito, o tempo quase lhe fez o que a guerra não conseguiu mas, temperado pela força de (L)aço rijo que foi o 149 e a guerra, resistiu e voltou a ter qualidade de vida.
Eu que em jovem ouvira falar do Quartel da "barrilada" em Elvas, falei-lhe acerca disso e que gostava de conhecer esse lugar mítico, que já perguntara como se ia lá mas houve até quem respondesse que o caminho não estava capaz ou já nem havia. O Laço levantou-se da cadeira e disse-me: queres lá ir agora?
E assim foi e fomos. O pequeno vídeo apresentado abaixo é o resultado dessa visita ao Forte da Graça ou da "Barrilada" como ainda é conhecido devido ao seu mito de Sisífo associado à sua condição de prisão militar.     
   


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Progrediram pelo terreno do inimigo até Cavunga.
53 quilómetros percorridos, sob um perigo que ocupa
a cabeça dos Soldados e todos os seus sentidos,
na tentativa de descobrir os homens escondidos
da UPA,
organização de prática tribalista que comunga
expulsar Portugal de Angola, nos combate,e era
sabido que estariam, emboscados, à nossa espera.
E em Cavunga dá-se o inevitável e receado contacto,
de Viriato.
Um frente-a-frente de facto
onde há quem morra e quem mate,
quem tombe e quem escape.
Felizmente, nesta batalha, passados os últimos
estampidos,
quando o fumo e o cheiro da pólvora ainda nos invade
contámos, entre os nossos, apenas cinco feridos,
sem gravidade.
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Extrato do poema  "O 1º Passo" do livro " Esquadrão 149, A Guerra e os Dias" de José Neves.