domingo, 11 de agosto de 2013

CONFRATERNIZAÇÃO 2013 (2)


 P O M B A L
 
EM 12 DE OUTUBRO DE 2013
 
P R O G R A M A

12 DE OUTUBRO 2013 

10:30 H - CONCENTRAÇÃO NO LARGO DO CADAVAL - JUNTO À C.M. DE POMBAL

12:00 H - MISSA NA IGREJA "Nª.SENHORA DO CARDAL" - JUNTO À C.M. DE POMBAL

13:00 H - ALMOÇO NO RESTAURANTE "MANJAR DO MARQUÊS" - VER MAPA DE LOCALIZAÇÃO JUNTO

Contactos:
Cardona        :Telef. 212422047
                      Telm.967075752/926411513

Restaurante  :Telef. 236200960
                      Telm. 917292830


domingo, 28 de julho de 2013

ELVAS, FORTE DA GRAÇA OU DA 'BARRILADA'

O Sargento LAÇO foi comandante de Secção do 3º Pelotão do Esq. Cav. 149 entre 1961 e 1963 em Angola.
Fez parte dos heróis do Esquadrão que abriram as portas da guerra. Na Madrugada de 25Jul1961 o 3º Pelotão é enviado de Ambriz para explorar o caminho do nosso itinerário para Zala-Nambuangongo afim de conhecer as dificuldades de progressão e sobretudo testar a presença e capacidade de reacção do inimigo.
Ao fim de 53 kms percorridos, na área de Cavunga, os homens do 3º Pelotão são surpreendidos por um forte ataque do inimigo escondidos na mata da berma da picada armados de canhangulos.
Em Cavunga, a cerca de 150 kms o inimigo montara a sua primeira defesa de Zala e Nambuangongo instalando ali uma guarda avançada aquartelada de centenas de homens. 
O 3º Pelotão comandado pelo Alferes Ribeiro de Carvalho, o mais jovem dos Alferes e até da maioria dos seus Soldados, embora inexperiente e vendo-se de repente com 5 homens feridos, não se ficou ou amedrontou reagindo com fogo cerrado das Mauser sobre o inimigo. Obrigou-o a debandar pelos carreiros da mata e abandonar o quartel onde foi encontrada vária documentação com informação militar importante.
Na 1ª batalha travada na guerra a sério onde há quem morra e quem mate, quem tombe e quem escape, um dos intérpretes combatentes sem medo foi o Sargento LAÇO.
No dia 3Jul2013 fui visitá-lo a Elvas, sua terra natal onde apresentou praça e depois esteve muito anos em serviço nos quarteis da Cidade. Não há muito, o tempo quase lhe fez o que a guerra não conseguiu mas, temperado pela força de (L)aço rijo que foi o 149 e a guerra, resistiu e voltou a ter qualidade de vida.
Eu que em jovem ouvira falar do Quartel da "barrilada" em Elvas, falei-lhe acerca disso e que gostava de conhecer esse lugar mítico, que já perguntara como se ia lá mas houve até quem respondesse que o caminho não estava capaz ou já nem havia. O Laço levantou-se da cadeira e disse-me: queres lá ir agora?
E assim foi e fomos. O pequeno vídeo apresentado abaixo é o resultado dessa visita ao Forte da Graça ou da "Barrilada" como ainda é conhecido devido ao seu mito de Sisífo associado à sua condição de prisão militar.     
   


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Progrediram pelo terreno do inimigo até Cavunga.
53 quilómetros percorridos, sob um perigo que ocupa
a cabeça dos Soldados e todos os seus sentidos,
na tentativa de descobrir os homens escondidos
da UPA,
organização de prática tribalista que comunga
expulsar Portugal de Angola, nos combate,e era
sabido que estariam, emboscados, à nossa espera.
E em Cavunga dá-se o inevitável e receado contacto,
de Viriato.
Um frente-a-frente de facto
onde há quem morra e quem mate,
quem tombe e quem escape.
Felizmente, nesta batalha, passados os últimos
estampidos,
quando o fumo e o cheiro da pólvora ainda nos invade
contámos, entre os nossos, apenas cinco feridos,
sem gravidade.
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Extrato do poema  "O 1º Passo" do livro " Esquadrão 149, A Guerra e os Dias" de José Neves.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

SERRAS FERNANDES, NEVES DA COSTA VIVOS EM NOSSA MEMÓRIA SEMPRE

SERRAS FERNANDES, operador de imagem da equipa da RTP integrada no Esq.149 durante a arrancada para Nambuangongo em Angola, 1961.
Imagem de 13.10.2001 obtida na reunião do Esq.149 comemorativa dos 40 anos.


NEVES DA COSTA, jornalista chefe da equipa da RTP integrada no Esq.149 durante a arrancada para Nambuangongo em Angola, 1961.
Imagem de 13.10.2001 obtida na reunião do Esq.149 comemorativa dos 40 anos.

Soubemos no princípio deste ano do falecimento do SERRAS FERNANDES. Agora, inesperadamente, soubemos da má notícia do desaparecimento entre nós do NEVES DA COSTA.
Formaram a equipa da RTP integrada na coluna militar do Esq.149 dirigida a Nambuangongo. Entre o Ambriz e Nambuangongo foram nossos camaradas de guerra e que, tal como nós, correram perigo de morte e comeram a ração de combate e o pó da picada. Foram também heróis do Esq.149.

Admiradores da estratégia e qualidades de comando e militares dos Soldados da nossa Unidade tornaram-se nossos grandes amigos e nunca faltavam às nossas confraternizações anuais.
A eles deve o Esq.149 o Filme "Nambuangongo, A Grande Arrancada", que trata precisamente da história gravada ao vivo dos combates e progressão do Esq.149 desde o Ambriz até Nambuangongo.

Para Eles a certeza de que nós, os seus camaradas de guerra sobreviventes, não deixaremos de os manter vivos em nossas memórias.

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e recebemos em reforço, um Pelotão de Dragões
montados em Panhards, e para nos acompanhar
trouxe uma equipa de dois repórteres da RTP
armados de muita fita e câmaras de filmar
e medos e receios que ninguém vê.
(Iriam comer o pó connosco, em várias ocasiões)
Desde então, foram horas e horas de registo ao vivo
de tiros, feridos, mortos, medos, coragens
e feitos, feitas imagens
que são testemunhos em arquivo
à espera de poeira e serenidade.
Registos que fizeram do Esquadrão a estrela e o tema
do filme da nossa posteridade
gravado em celuloide de cinema.

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Do livro "Esquadrão 149, A Guerra e os Dias" de José Neves.

sábado, 29 de junho de 2013

CONFRATERNIZAÇÃO 2013



Como era de nossa marca um militar do 149 só não ia ao combate se o Dr. Pimenta o desse como incapaz de saúde.
Do mesmo modo, também agora, apesar dos anos nos terem fragilizado a antiga força e vontade, só não deve ir á nossa confraternização habitual de cada ano quem estiver mesmo impossibilitado de todo. Porque, a nossa reunião e convívio anual para recordar tempos inesquecíveis da nossa juventude em tempos de vida ou morte, são o mais eficaz medicamento contra as nossas maleitas. 
E porque somos cada vez menos a confraternizar são cada vez mais os que lá do alto nos observam e esperam pelo nosso dever de os recordar e homenagear. 

ASSIM, CARO AMIGO CAMARADA DO E.CAV149.

AGENDA JÁ ESTA DATA : Sábado, 12 de Outubro de 2013

Convívio 2013 do Esquadrão de Cavalaria 149 (Os morcegos)

Restaurante - "O MANJAR DO MARQUÊS"

Situado em Pombal

Em Setembro, o nosso inigualável organizador camarada Cardona enviará o convite individual e croqui de localização pelo correio.

O COGNOME

OS 
MORCEGOS


Este é o velhinho, gasto pelo tempo e uso intenso, emblema usado na manga dos homens do Esq. Cav. 149 depois da campanha de Nambuangongo.
Quando em 01/Ago/61, após o acampamento na Fazenda Matombe, o Comando decidiu tomar a iniciativa arriscada e inovadora de avançar em progressão contínua noite e dia sem acampar, tal decisão deu origem a que entre os Soldados se começasse a falar de sermos como os morcegos. E como se passou a progredir mais de noite que de dia a ideia de que éramos como os morcegos alargou-se a todo o Esquadrão e ganhou consistencia como mais um motivo de orgulho e, sobretudo, tomado como mais um reforço para a força anímica e moral da Tropa. 
Desse modo, logo que terminada a campanha de Nambuangongo, Quipedro e Pedra Verde, chegados ao Caxito o próprio Comando, sempre atento aos pormenores de auto-estima dos Soldados, encomendou a uma bordadeira de Luanda a feitura dos emblemas do Esquadrão 149 tendo como símbolo o morcego em homenagem à iniciativa táctica invulgar que, sendo nosso emblema, foi também sempre a imagem do nosso modo de actuar durante toda a comissão de serviço em Angola.  

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Depois da estratégia estabelecida
de não dar descanso ao inimigo,
avançando noite e dia, sempre em partida,
tendo a viatura, a arma e o instinto como abrigo,
passámos noites e dias e noitadas
em cima e debaixo das viaturas.
E, tanto estavam as nossas Tropas habituadas
que, já melhor que os dias eram as noites escuras,
porque à noite as Tropas não eram atacadas,
tornando os Soldados mais audazes e afoites
sem tiros e desassossegos.
Os nossos melhores dias eram as noites,
à semelhança daqueles não-pássaros negros
chamados morcegos.
E sendo assim, justo se impunha 
que "Morcegos" fosse a nossa alcunha.

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Do livro "Esquadrão 149, a Guerra e os Dias" de José Neves. 

A BOINA DE GALA

BOINA DE MEMÓRIAS

 

Esta boina com orelhas pertencia à farda de caqui que era igualmente a farda de gala para as Tropas no Ultramar. Para nós, Esq. Cav. 149, que fizemos toda a comissão de serviço no Norte em Zona de Guerra, tal farda e boina nunca mais foi utilizada depois do embarque em Lisboa.
Os militares usaram-na para inscrever nela as localidades por onde passavam ou acampavam e onde ocorrera casos de ataques ou outros especiais com valor para memória futura.
É hoje uma recordação viva desse tempo e desses momentos de guerra tão duros e carregados de perigos, medos e incertezas tais que ainda hoje é um alívio e um conforto recordá-los.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

GRANDE ARRANCADA, NAMBUAMGONGO II

A PRIMEIRA VICTÓRIA

Em 2011, 50 anos após a tomada de Nambuangongo em 1961, o Cor. Rui Abrantes concedeu ao Fur. Mil. do Esq. 149 Adolfo Contreiras uma entrevista sobre a Operação Viriato relativa à reocupação daquela povoação considerada pelos rebeldes da UPA como a Capital do Estado Livre do Congo Angolano.
O Cor. Rui Abrantes recorda como o então Cap. Comandante do Esq. Cav.149 ainda em Lisboa, tendo ouvido falar da importância militar e política da tomada de Nambuangongo, pensou no assunto e desembarcou em Luanda com vontade e decidido a participar nessa missão difícil e arriscada.  
Enviado o Esq. para o Caxito onde receberia missão do Comando do Sector 3 sediado na Fazenda Tentativa, no mesmo dia de chegada recebeu ordem de montar uma emboscada nessa noite a uma suposta descida sobre o Comando do Sector 3, e em direcção a Luanda, de milhares de combatentes da UPA que na véspera haviam atacado em massa o Bat.114 na ponte de Anapasso sobre o Rio Lifune fazendo alguns mortos e feridos e infundindo respeito.
A demonstração de capacidade de prontidão do Esq. 149 e a temeridade de colocar-se na frente de milhares de tropas inimigas e esperar de mão firme uma noite inteira deitados de arma apontada numa clareira da mata prontos a enfrentar tal coluna humana inimiga, foi de uma coragem e bravura invulgar. De salientar que os Soldados do Esq.149 tinham desembarcado havia dias e naquela altura ainda não tinham disparado um tiro na guerra. O Cap. Abrantes, ele próprio, esteve à frente e ao Comando das Tropas emboscadas.
É certo que o inimigo não compareceu como indicavam as informações recolhidas pelo Estado Maior do Comando do Sector 3, mas também não se sabe se não foi devido, precisamente, à movimentação rápida e à noite das nossas Tropas decididas a enfrentá-los, que o inimigo temeroso evitou o confronto. De qualquer modo o pessoal do Comando do Sector 3 instalado na Tentativa ficou descansado e pode dedicar-se sossegado à sua tarefa operacional de planear as missões das tropas na ZIN, Zona de Intervenção Norte.
No dia seguinte o Cap. Abrantes recebe a tão esperada e desejada missão de desobstruir o Caminho até Zala e se possível atingir Nambuangongo.
O Comandante Cap. Rui Coelho Abrantes, professor de táctica na Academia Militar, tinha obtido a sua primeira victória na guerra. 



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Entrincheirados atrás dos capacetes de aço,
estendidos ao longo do cume da colina,
perscrutando a noite e o silêncio que retina
no corpo de alto a baixo,
o peito colado à terra, senti-a estremecer,
(ou seria o coração aos saltos a bater?)
do medo que faiscava no espaço
que ia da cabeça dos Soldados a Anapasso
onde se dera terrível combate frente-a-frente,
entre espingardas tiro-a-tiro
e canhangulos e catanas braço-a-braço,

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aguardávamos irrompesse uma mole de Gungunhamas
armados de FBP, canhangulos, paus e catanas.
Somente se ouvia o ruido do silêncio cavo
da floresta, ou o pisar de algum bicho bravo.
O pensamento, denso como bala, reflexivo como diamantes
alterava-se, imprevisível, como corsa perseguida
aos saltos, como quem luta pela vida e a morte enxota.
Assim tensos, à espera da nossa terrível e temida
Aljubarrota,
passaram anos em instantes.

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Excertos do poema "Baptismo" do livro "Esquadrão 149 -A Guerra e os Dias" de José Neves.